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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

The Elder Sign

Seguindo aquela ideia de que o mercado farmacêutico sempre tem a solução para uma doença que você nem sabia que existia, esse divertido comercial fictício apresenta um medicamento para quem sofre dos mesmos sintomas que os personagens de H. P. Lovecraft.

Quem leu Sombras Perdidas no Tempo vai entender a piada. No final aparecem rapidinho os efeitos colaterais, como deslocamento temporal, estimulação da glândula pineal e Síndrome do Árabe Louco, dentre outros.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

The H.P. Podcraft



De uns tempos para cá, andei descobrindo o mundo maravilhoso dos podcasts. Para quem quer fugir da programação de televisão ou rádio e ter o poder de escolha do assunto que quer ouvir é uma excelente opção. Atualmente acompanho todos os episódios do Podcast Cinema em Cena, cuja equipe sempre traz notícias e comentários inteligentes sobre a sétima arte.

Ontem, por indicação do Daniel, achei uma verdadeira preciosidade. Para quem, como eu, é fã da obra do cavalheiro de Angel Street, The H.P. Lovecraft Literary Podcast é uma excelente pedida. O único senão, claro, é que os programas são em inglês. Mesmo assim, para quem tem um ouvido médio para a língua de nossos irmãos do Norte, a pronúncia dos caras, com sotaque de Massachusetts, é bastante clara e acessível.






Até agora ouvi o programa (em três partes) sobre o maravilhoso conto Um Sussurro nas Trevas, que recentemente foi (muito bem) adaptado para as telas de cinema, no melhor estilo dos filmes clássicos da Universal. Já havia comentado isso em outro post.

No site os caras também oferecem versões em aúdio de contos originais, como The Call of Cthulhu, From Beyond e Cool Air, dentre outras. Ainda não ouvi, mas com certeza farei em breve.

Os comentários são inteligentes e bem humorados. Para quem é fã ou deseja conhecer mais sobre a obra de Lovecraft, ouvir o Podcraft é altamente recomendável.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Dagon, comentado por Stuart Gordon

Como havia mencionado no post anterior, ontem fui (re)assistir Dagon, numa sessão comentada pelo próprio diretor Stuart Gordon, com as graças do pessoal que organiza o Fantaspoa.

Já adianto que o povo que organiza o festival está de parabéns. Os caras conseguiram trazer Stuart "Re-animator" Gordon para comentar um ótimo filme. Tudo oferecido ao consumidor final pela bagatela de 5 reais! Isso mesmo! 5 pilas. Não dá para acreditar. Mas os caras fizeram mágica.

Cheguei na sala do Cine Bancários junto com o Daniel. Sentamos na poltrona, e, em seguida ele olhou para mim: "O Stuart Gordon sentou na fileira à frente da nossa!". Cara! No mínimo inusitado, nunca imaginei que assistiria um filme sentado junto com um diretor de cinema. E, no caso, um diretor cult de filmes de terror, cuja marca registrada mescla sangreira explícita com altas dosagens de humor. É a receita que fez de Re-Animator um clássico para quem cresceu nos anos 80 lendo as revistas Video News.



Embora Re-Animator seja uma adaptação mais do que livre do conto "Herbert West: Re-Animator", de H.P. Lovecraft, o resultado final saiu muito bom. Foi a primeira adaptação bem-sucedida do mestre do terror cósmico, e continuou sendo por muitos anos até a virada do milênio, quando a mitologia dos Old Ones ganhou uma verdadeira retomada no cinema, com o advento de "Dagon" e os excelentes "Um Sussurro Nas Trevas" e "O Chamado de Cthulhu".

Herbert West, re-animator


Ainda na década de 80, o sucesso de Re-Animator deu origem à duas sequências picaretas ("Re-Animator: Fase Terminal" e "A Noiva do Reanimator"). Também rendeu outra adaptação de Lovecraft que só guarda o nome original: "Do Além" ("From Beyond").

"From Beyond" é praticamente uma refilmagem de Re-Animator, com os mesmos atores, personagens e história. Tem muito pouco a ver com Lovecraft e MUITO a ver com Stuart Gordon. É um besteirol de terror com direito a muito sangue, meleca e sacanagem.



Parece uma versão mais tosca dos primeiros filmes de Cronenberg, como Rabid ou mesmo Videodrome. Não consigo ver Barbara Crampton em trajes S&M sem lembrar da personagem de Deborah Harry em Videodrome ou na glândula pineal desenvolvida do vilão sem lembrar de coisas semelhantes em Rabid e afins. É um filme ruim e divertido.




Já Dagon representa um amadurecimento na filmografia de Stuart Gordon. Embora ainda traga o humor como marca registrada, é uma adaptação bem mais fiel à obra de Lovecraft, e não apela para o escracho dos filmes anteriores.

Embora Lovecraft tenha escrito um conto entitulado "Dagon", o filme de Gordon, é na verdade, uma adaptação de "The Shadow Over Insmouth". Após a sessão, o diretor comentou que gostava em particular desta história porque era a única com final feliz na obra de Lovecraft.





Claro que ainda é uma adaptação bem livre do original que se passava na Nova Inglaterra e mudou-se para a Galícia. Insmouth foi rebatizada como Inbocca. Gordon explicou durante a entrevista que isso se deu por razões de patrocínio na Espanha. Brincou dizendo que o pessoal do povoado de San Andres de Teixido, na Galicia, provavelmente não lera o script quando deu dinheiro para fazer o filme, achando que promoveria o turismo no local.



Curiosamente, o filme é falado em inglês e catalão. Gordon brincou mais uma vez, referindo que os catalães se ofendiam ao dizerem que se tratava de um dialeto do espanhol.

Claro que não falta um toque de sacanagem no filme. Neste quesito, Raquel Meroño cumpre bem o papel de scream queen gostosa, mostrando tudo que o povo quer ver. O nome da personagem, Barbara, é uma homenagem óbvia à Barbara Crampton.


As auto-homenagens não param por aí. O protagonista é um nerd clássico, magro e de óculos, com o mesmo visual de Herbert West (que já fora reprisado em "From Beyond"). Também há várias referências à Lovecraft, como o fato do personagem usar um moletom da Universidade de Miskatonic.


O destaque fica por conta de Macarena Gómez, no papel de Uxía Cambarro, outra personagem que não existe no original de Lovecraft. A cara esquisita da moça lembra muito aquelas sereias macabras, prestando-se muito bem para o papel de mulher-polvo.









Mesmo sendo uma espécie de filme de zumbi, onde os mortos-vivos são substituídos por homens-peixes, Dagon é muito bem feito. As limitações no orçamento, visíveis em algumas cenas, são compensadas pela criatividade sem limites do diretor.



Porque Prometheus matou "Nas Montanhas da Loucura"?

Sim, acabo de chegar do Fantaspoa. Assisti Dagon sentado na fileira atrás do Stuart Gordon. Depois comenta melhor.

Mas, na fila do filme, ouvi um cara comentar o assunto envolvendo Prometheus e At The Mountains Of Madness, que, infelizmente, parece que já é um projeto morto. Colo a seguir o post, retirado do Mundo Tentacular.


Porque Prometheus matou "Nas Montanhas da Loucura"?



Não é de hoje que as notícias à respeito da adaptação de "Nas Montanhas da Loucura" pelo diretor Guilhermo Del Toro vão de mal à pior.

Agora  parece que o proverbial "último prego" teria sido martelado no caixão do ambicioso projeto envolvendo a novela de H.P. Lovecraft, e a razão seria o aguardado filme "Prometheus" de Ridley Scott.

"Prometheus", filme que estréia em 15 de junho e vem sendo alardeado como o retorno de Ridley Scott ao gênero Ficção-científica é uma espécie de prequel de Alien. Os eventos narrados no filme envolvem uma missão espacial que descobre uma nave alienígena em um escuro planeta e tenta entender a relação de uma misteriosa forma de vida ali encontrada com a humanidade. O filme finalmente explicará o papel do "Space Jockey", aquela criatura humanóide gigantesca que aparece em "Alien, o oitavo passageiro" e que transportava os ovos de Alien em uma nave colossal.

Para quem assistiu o trailer de "Prometheus" fica claro que o filme deverá ser nada menos que espetacular. Não apenas por voltar ao tema "horror no espaço", mas por reclamar de volta toda a estética original que tornava o primeiro capítulo da saga Alien uma estória realmente assustadora que com o tempo foi diluída ao longo de continuações cada vez menos empolgantes.

Mas o que o lançamento de Prometheus teria à ver com a derrocada final de "Nas Montanhas"?

Muito, infelizmente é a resposta.

Essa semana, enquanto os fãs de "Prometheus" comemoram a classificação 18 anos recebida pelo filme (o que demonstra a seriedade do projeto), Guilhermo DelToro deu uma declaração bombástica em seu site oficial.

Segundo o cineasta mexicano, o filme de Ridley Scott guarda enormes similaridades com o roteiro de "Nas Montanhas da Loucura" o que tornaria a transposição de ambos para o cinema um equívoco.

Del Toro declarou que o prelúdio de Alien teria diversos pontos em comum com o texto de Lovecraft, não apenas na premissa, mas a mesma "grande revelação" do filme.

SPOILER (se estiver disposto a ler, aberte o botão esquerdo do Mouse sobre o trecho escuro) :

Suponho que Del Toro se refere a suposta criação da humanidade nas mãos de uma raça alienígena. 

No caso de "Montanhas", os Elder Things uma raça alienígena, teria sido responsável por construir a cadeia de DNA que originou a humanidade. O título "Prometheus" sugere que algo semelhante deve ser um dos pontos centrais da trama. Eu diria que a raça alienígena, seria a responsável pela gênese da vida na Terra e contaria como a tal "Grande Revelação".

Segundo Del Toro:

"As filmagens de Prometheus começaram na mesma época em que eu começava a pré-produção de Pacific Rim. O próprio título me deixou apreensivo, sabendo que Alien tinha sido bastante influenciado por Lovecraft e sua novela. Dessa vez, décadas depois e com o orçamento e prestígio de Ridley Scott, imaginei que a metáfora grega aludia aos aspectos de criação do livro de HPL. Acredito que esteja certo e, se assim for, como fã, estou realizado por ver Ridley Scott em uma nova ficção científica, mas isso marcará uma longa pausa, se não a morte, de Nas Montanhas da Loucura", escreveu o diretor.

No início de 2009, o projeto prestes a ser iniciado de "Nas Montanhas da Loucura" foi cancelado. As razões teriam sido o orçamento, em torno de US$ 150 milhões, e a insistência do diretor em manter a classificação 18 anos, o que tornaria o filme menos rentável para a Universal Studios. A produção do filme ficaria à cargo de James Cameron que pretendia realizar a filmagem utilizando efeitos digitais de última geração em 3-D.

A censura obtida por Scott, e a aparente similaridade de Prometheus com Nas Montanhas da Loucura - ambos retratam cientistas/aventureiros face a face com civilizações perdidas - levaria aos cinemas as mesmas ideias que Del Toro pretendia filmar. Isso seria uma falta de estímulo para o filme existir, pelo menos por enquanto.

A grande verdade é que Guilhermo Del Toro não é um diretor que tenha "bala na agulha" para bancar um projeto do tamanho de "Nas Montanhas da Loucura" tendo que cuidar dos interesses de estúdios, orçamentos milionários e ainda assim lutar para preservar a fidelidade do roteiro. Eu até achei que a entrada do James Cameron pudesse dar uma sustentação para que o filme decolasse, mas nem assim.

Ridley Scott é um cineasta bem mais conhecido, com uma longa biografia de filmes que se consagraram como sucessos de crítica e bilheteria (Blade Runner, Alien, Gladiadorpara citar três apenas). O poder de manobra lhe permite lidar melhor com o delicado jogo de Hollywood, levar adiante seus projetos e impor suas condições, por isso Prometheus acabou tendo uma classificação 18 anos e um grande orçamento.

A similaridade entre os roteiros é sim um grande problema para o futuro de "Nas Montanhas da Loucura". Historicamente filmes com roteiros similares a outros já lançados, acabam sendo preteridos e/ou arquivados, em alguns casos quando duas produções com temática semelhante são anunciadas, os estúdios correm para realizar o lançamento na data mais próxima possível. Assim foi com "Impacto Profundo" e "Armagedon", filmes sobre meteoros destruidores, "Formiguinhas" e "Vida de Inseto" desenhos sobre simpáticos insetos, lançados bem próximos uns dos outros para capitanear uma sadia rivalidade nas bilheterias. Uma vez que "Montanhas" sequer atravessou a fase de pré-produção é justo supor que o filme não estaria disponível por alguns anos.

É irônico... por um lado teremos um filme que beira o sensacional e pelo qual os fãs da ficção mal podem esperar. Por outro, esse mesmo filme parece colocar uma pedra sobre a possibilidade de vermos um dos mais geniais trabalhos de Lovecraft transposto para o cinema.


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Bom,  na minha opinião, já bem antes de Prometheus eu via influência direta do conto/noveleta de Lovecraft sobre o monstro babão de Ridley Scott.

O cenário gótico imaginado por Moebius e H.R. Giger é obviamente inspirado na civilização perdida na Antártida imaginada por Lovecraft, marcada pelas construções em ângulos impossíveis, que desafiam a geometria e o bom senso.

As criaturas alienígenas dissecadas pelos cientistas da Universidade de Miskatonic apresentam anatomia em muito semelhantes ao baratão assassino. O crossover caça-níqueis Alien X Predador aborda bem essa premissa, colocando uma civilização perdida alienígena na terra.

Então, era mais que óbvia a comparação do projeto de Guillermo Del Toro com o arrasa-tudo de Ridley Scott. E, como, ao que parece Prometheus vai tratar de Deuses Astronautas, a coisa fica mais difícil ainda.

Contudo, acho que essa desculpa do Del Toro é furada. Provavelmente não saiu todo o dinheiro que ele queria para fazer uma adaptação com toda a grandiosidade que ele imaginava.


Acho um erro. Tem um pessoal independente que fez os dois melhores filmes baseados em Lovecraft que já vi, e tudo utilizando muita criatividade e pouco dinheiro.

O primeiro é O Chamado de Cthulhu, no formato expressionismo alemão. Dá para conferir o filme na íntegra pelo Youtube.





O segundo, Um Sussurro Nas Trevas, em preto e branco, seguindo a estética dos filmes clássicos da Universal.





Este último, inclusive, tive a oportunidade de ver ano passado no Fantaspoa. Infelizmente, apesar da grande qualidade, estes filmes independentes não têm a distribuição que mereciam ter e acabam ficando restrito a poucos festivais de cinema. Uma pena.




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Murray Groat desenhou capas muito bacanas, imaginando a incursão de Tintim na mitologia de H.P. Lovecraft. Taí um crossover que seria muito legal mesmo! Pena que Hergé não está mais entre nós. Porém... That is not dead which can eternal lie, yet with stranger aeons, even Death may die.