Na minha vida, todo dia é dia de rock'n'roll. Então, não ligo muito para certas datas que a mídia inventa por aí. Sei que provavelmente a Atlântida FM deve estar tocando Stairway To Heaven e Smoke On The Water hoje, em "homenagem" ao grande estilo. Mesmo que passe 364 dias do ano tocando hip hop, poperô, reggae baba e outras porcarias.
Esclarecido isso (expressão que muito uso nos meus acórdãos, quer dizer... "minuta de voto"), passo a apresentar uma banda injustamente pouco conhecida, o Television.
Você acreditaria que uma banda que lança uma música de mais de 10 minutos, praticamente instrumental, poderia ter sido na época (final dos 1970s) vendida como "punk"? Bom, provavelmente a gravadora que lançou esses novaiorquinos dessa forma achou que seria uma boa ideia na época. Mas como convencer o público? Fácil, cortando um pouco mais os cabelos dos rapazes.
Digo que a inclusão no punk talvez tenha eclipsado um pouco a proposta da banda, que muito bem poderia ser vendida hoje sob o rótulo de "indie". Fazia anos que não ouvia os caras, e esses tempos reconheci o riff, jurando que era alguma coisa do Strokes ou do Franz Ferdinand. Não só a guitarra martelada, mas também o visual "terninho do vovô" parece ter influenciado essa geração dos anos 2000. O mais legal de tudo é que ao longo que a música se arrasta, surgem texturas sonoras que remetem a Kashimir do Led. Também dá para sentir a influência dos caras nos Smiths e outros que viriam depois.