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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A Igreja da Cópia

Enquanto a inspiração para escrever continua baixa, aí vai mais um copy+paste, extraído do Observatório da Imprensa.




O templo dos downloads sagrados

Por Sergio da Motta e Albuquerque em 24/01/2012 na edição 678
Na Suécia, fazer downloads de filmes, músicas, programas e shows é a coisa trivial. Mesmo envolvido num feroz debate sobre os direitos autorais, o país nórdico tem forte tradição em liberdade de expressão e compartilhar arquivos na internet é uma coisa corriqueira. Não tem a conotação criminalizada que os defensores dos direitos autorais tentam imputar a ela. O jornalista J. David Goodman publicou no New York Times,na quarta-feira (18/1), uma excelente matéria sobre as origens da cultura sueca de compartilhamento de arquivos.
O fato mais curioso que ele informa em sua reportagem foi o reconhecimento, pela Agência de Serviços Administrativos da Suécia, da religião da “Igreja da Cópia” (Church of the Kopimism), que acredita que copiar é sagrado, assim como o compartilhamento geral de todos os arquivos. “Todos os direitos autorais são heresia e o compartilhamento de música, filmes e outras formas de mídia protegida são um tipo de devoção religiosa”, prega a pequena congregação de 3.000 membros. A Associated Press(5/1) minimizou o fato ao afirmar que o governo sueco costuma apoiar e reconhecer crenças germânicas primitivas, como adoração de elfos, gnomos, trolls e outras entidades da mitologia popular nórdica.
O jornal de Nova York aprofundou a notícia da AP – que foi a fonte original. As culturas germânicas possuem uma dimensão coletivista e cooperativista muito forte. São povos que sempre se apoiaram no coletivismo para sobreviver. O bem-estar coletivo sempre prevaleceu sobre interesses individuais. Esta herança histórica provavelmente está relacionada com o fato do país ter altos níveis de desenvolvimento social e posições progressistas em termos de liberdade de expressão. Costuma acolher com liberalidade os ativistas mais importantes que fazem sua defesa.
Goodman, em seu artigo, explicou a gênese do surgimento do Partido Pirata(The Pirate Party), hoje um dos maiores da Suécia, e que já conquistou dois assentosno Parlamento da União Europeia em 2009. A informação veio do site da organização.
Gravadoras não pagavam os músicos
O partido prega contra as leis de direitos autorais, quer o fim das leis de patentes e maior privacidade online. Seu programa é bem mais extenso. Entende as atuais leis de propriedade intelectual como primitivas e promotoras do atraso no desenvolvimento tecnológico. Tudo começou no início do século 21, com o surgimento do Pirate Bay, o mais notório site de downloads do mundo, criado pelo ex-colaborador do WikiLeaks Per Gottfrid Svartholm, coinventor do sistema bit-torrent, largamente utilizado para baixar filmes, ou qualquer dado digital de grande tamanho. Depois de sucessivos ataques à liberdade de expressão, o Parlamento Europeu, em 14 de dezembro de 2005, aprovou a “Diretiva de Retenção de Dados”, que foi o gatilho para o surgimento do partido, que surgiu dois dias depois, quando o domínio www.piratpartiet.sefoi registrado. Rick Falkvinge, outro importante ativista, juntou-se ao pessoal do Pirate Bay e fundou o primeiro partido pirata da Suécia em 2006.
Anakata (apelido de Per Gottfrid Svartholm Warg) é um especialista em blindagem de sites e privacidade na web, e resiste até hoje no Pirate Bay às investidas dos agentes da lei americanos, que não aceitam a postura desafiadora do programador sueco. Mesmo condenado e foragido, continua com o site no ar. Ninguém derruba o que Svartholm põe na web. E os downloads gratuitos continuam nestes dias de temor da SOPA e da PIPA. O Congresso Americano adiou a votação das duas emendas diante da pressão das “grandes” da web, como Google, Facebook e Twitter e dos mais de 10 mil sitesque participaram do protesto. A Wikipedia em inglês ficou fora do ar toda a quarta-feira (18/01). O perigo foi temporariamente afastado, mas a guerra entre os defensores dos direitos autorais e os ativistas da web livre prossegue.
Existe muita gente horrorizada com este credo revolucionário que defende os downloads gratuitos com paixão, como os donos de estúdios de Hollywood e a indústria musical, que nunca foi conhecida por sua honestidade com os artistas. Ao contrário. Mick Jagger afirmou à BBC(11/4/2010) que nos áureos tempos dos Rolling Stones o dinheiro que chegava às mãos da banda era mínimo e completamente desproporcional aos lucros que esta gerava. As gravadoras simplesmente não pagavam os músicos, explicou sir Mick Jagger.
O provedor mais libertário da web
As origens da Igreja remontam ao surgimento do lobby sueco antipirataria de 2001 (o “Anti-Piratbyran”), que pegou os ativistas do país de surpresa. Estes reagiram e iniciaram o movimento contra os direitos autorais na web. O New York Times explicou:
“Em 2003, membros de um grupo de ativistas da livre informação copiaram o nome do grupo de lobby, mas retiraram o anti, chamando a si mesmos ‘Piratbyran’ – o escritório do pirata. No mesmo ano, o bureau criou um website, o Pirate Bay, que logo tornou-se a referência mundial para downloads de filmes, shows de TV e software. Em 2005, um imigrante curdo chamado Ibrahim Botani criou uma espécie de insígnia anticopyright chamada ‘kopimi’ (ou ‘copy me’ – em português, ‘copie-me’)”.
O curdo era figura central do movimento e seu logotipo inspiraria a criação da Igreja da Cópia. Apesar do tom jocoso da acessão pelo Estado sueco da estranha igreja, a força do ato reside em seu simbolismo inocente. Que é inocente apenas nas aparências. A Igreja é o lado brincalhão, na sociedade sueca, do Partido Pirata, uma organização política séria e comprometida com a liberdade de expressão, com a reforma das leis de direitos autorais – e que pede a extinção da legislação de patentes. Os dois não estão ligados de modo formal. São companheiros em uma mesma luta.
O jornalista não destacou de forma suficiente o papel de Gottfrid Svartholm na criação do PRQ(“PeRiQuito”), o provedor de presença mais libertário da web, e o do Pirate Bay, que foi administrado, até poucos atrás, pelo próprio Svartholm. Até as autoridades suecas exigirem seu afastamento do Pirate Bay, em 2009, por suposta participação em um site estudantil de compartilhamento de textos escolares, o Student Bay, informou o The Local(20/04/2009). Em outubro de 2011, as cortes suecas de justiça ordenaram seu encarceramento, mas Anakata e o Pirate Bay já haviam deixado o país há dois anos.
“Jardim murado”
O ativista está foragido. Seu último tweetveio do Camboja, no ano passado, mas conhecendo o homem, ele poderia estar neste exato momento em qualquer parte do globo. Ele é um dos mais importantes agentes da liberdade de expressão no mundo. Provavelmente o maior especialista em segurança na web no mundo inteiro. Sua presença entre nós é um saudável contraponto aos defensores da comercialização abusiva da internet. Gente como Ruppert Murdoch, que acredita que um link gratuito é a coisa mais imoral da face da terra.
A luta continua. Hoje, as “grandes” da web, como Google, Facebook e Amazon, conseguiram, junto com mais de10 mil sitesque participaram do protesto, afastar temporariamente os defensores dos dois projetos de lei antipirataria (Sopa e Pipa) norte-americanos que querem transformar a web num grande hipermercado onde nenhum link será mais gratuito e o comércio vai reinar. Mas a votação foi apenas adiada. Eventualmente, as emendas terão que ser submetidas à votação. A ideia de uma internet comercial, controlada e submetida a diretos autorais e leis de patentes ainda permanece viva dentro do Congresso norte-americano, apesar de seu óbvio equívoco.
A web não nasceu para isso. Ela surgiu umbilicalmente ligada à contracultura e a todos os movimentos em favor da liberdade de expressão que existiam e felizmente ainda existem até hoje. Numa hora destas, pregar abertamente downloads livres de músicas e filmes soa doce como a liberdade de compartilhar o que há de melhor entre nós, humanos. A web foi criada na lógica dos hackers, para que todos pudessem participar de seu desenvolvimento. Para que cada um tivesse um lugar nela. A mentalidade generosa de seus fundadores neste momento encontra-se ameaçada pelas mesquinhas forças do mercado, que preferem para a web o formato “jardim murado” à liberdade de compartilhar o que quer que seja pela rede.
Eles estão entre nós
Por isso, por mais louco que pareça, o surgimento de uma igreja que prega que compartilhar arquivos não é crime, mas devoção, é algo que deve ser lido como uma posição política em defesa da internet livre, como originalmente foi concebida por seus criadores, e não como uma bobagem ou particularidade estranha dos nórdicos. A coisa é séria. O momento é de luta. Exige frieza e controle porque o inimigo é poderoso. E um pouco de humor corajoso é sempre necessário na luta. E não vamos nos esquecer que nós, aqui no Brasil tropical, desde as lan houses das favelas até as conexões mais exclusivas em alta velocidade de banda larga das classes médias e altas, todos adoramos downloads gratuitos. Todos precisamos de uma internet livre.
É realmente uma maravilha de nossos tempos podermos assistir a um filme ou show na TV e baixarmos a trilha da web na hora. Quem nunca fez esta experiência de mídia? É como voltar no tempo, rever amigos e épocas que o espaço e o tempo separaram. A web traz não só o futuro, mas ajuda a recompor o passado, a rever os cenários de época, a apreciar de outras formas a passagem da História. Através da rede, não somos mais espectadores aparvalhados diante de imagens em movimento. Somos agentes da História humana. Somos parte de um coletivo mundial com força suficiente para mudar nossos próprios destinos.
Por isso, caro leitor, não se espante com a igreja dos downloads gratuitos, nem com o partido dos piratas. São combatentes da liberdade de expressão. E estão entre nós. A organização mundial é mundial. Estão aqui, no Brasil, neste exato momento: o Partido Pirata do Brasilexiste desde 2007. E é bom que seja assim. Só uma grande rede internacional em defesa da liberdade de expressão poderá prevalecer contra os interesses econômicos hegemônicos da sociedade que estão a retardar o desenvolvimento tecnológico mundial com sua ganância mesquinha. Os suecos criaram a igreja da cópia e do download livre? Pois eu virei mais um crente defensor deste credo.
***
[Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor]

E o que eu acho disso? Taí uma religião que vale a pena abraçar. Melhor até que aquela Igreja do Pastor João. E os caras nem precisam passar a sacolinha...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Zygmunt Bauman na Globo News

Não percam: hoje às 23h30min, na Globo News.
Zygmunt Bauman é o meu autor de auto-ajuda (no bom sentido) preferido. Os livros do sociólogo são muito mais úteis para qualquer ser humano nos tempos atuais do que aquelas baboseiras positivas e pró-ativas. É um pensador que dispensa apresentações. Contudo, para os que não conhecem, passo uma introdução extraída do programa Milênio, um dos poucos que prestam nessa TV a cabo de merda.


Horários de exibição

Programa inédito
Seg 23:30

Horários alternativos
Ter 03:30, 11:30, 17:30
Qua 05:30
Dom 07:05




Zygmunt Bauman e o sistema que hipotecou o futuro

qui, 12/01/12

por Equipe Milênio |

categoria entrevista, Programas



Em agosto de 2011, uma revolta em Londres chamou a atenção do mundo. Sem liderança aparente ou qualquer tipo de exigência, jovens foram às ruas. Incendiaram e saquearam lojas, invadiram shopping centers e destruíram símbolos da sociedade de consumo que os excluía.

A questão era intrigante. O que levou essas pessoas a essas ações violentas? Embora compartilhassem o contexto de crise econômica e falta de oportunidades com aqueles que levaram a cabo os movimentos da Primavera Árabe, os jovens do Reino Unido não queriam transformar a ordem. Segundo Zygmunt Bauman, “foi uma revolta de consumidores desqualificados”. Eles queriam, na verdade, participar do sistema. O sociólogo viu naquela revolta o símbolo do momento em que vivemos.

Bauman foi uma testemunha das mudanças desse século de extremos. Nascido em 1925, na Polônia, sobreviveu ao nazismo, vivenciou o comunismo e, há 40 anos, pesquisa e mora na Inglaterra. Sua maior contribuição foi o conceito de liquefação dos laços sociais. Por mais que nossas relações não tenham perdido densidade ou complexidade, elas passaram a ser mais fluidas e incertas. As mudanças no modo de produção desencadearam uma série de pequenas revoluções no cotidiano que, aos poucos, criaram o contexto para que a sociedade atual se desenvolvesse.  De uma fábrica que detinha cada etapa da confecção de um bem, temos hoje cadeias de produção que se espalham pelo mundo como teias que se entrelaçam graças à tecnologia da informação e aos transportes cada vez mais rápidos. O tempo que era linear tornou-se instantâneo e o conhecimento passou a ser a base para a geração de valor. Em poucos anos, o capital que era sólido e fixo, ganhou enorme liberdade no espaço e no tempo.

Como consequência, todo o tecido social foi afetado. No nível do trabalho, a atualização e a capacitação profissional passam a ser constantes e a renovação dos quadros não mais obedece uma ordem linear. Foi rompida a sequência entre escola, universidade e trabalho. O mercado busca cada vez mais a especialização e muitos diplomados acabam em subempregos ou desempregados. Na arquitetura, os não-lugares – shopping centers, estradas, aeroportos – representam pontos de conexão em uma rede de fluxos indefinidos. Governos ficam à deriva em um contexto que Bauman classifica como “divórcio entre política e poder”. Na vida pessoal, a constante necessidade de se redefinir, de se aprimorar e de se adaptar cria um ambiente de insegurança e angústia. A saída, para muitos, é o consumo. Um alívio rápido que permite que se estabeleçam laços com determinado grupo ou idéia, mesmo que de maneira fugaz, pois sempre haverá algo mais novo ou mais interessante. Os estímulos constantes e a necessidade de criar para agregar valor fecham o ciclo de um sistema que se retroalimenta e se expande a uma velocidade que parece sempre maior do que se pode acompanhar.

Para Bauman, aqueles jovens demonstraram a crise de um sistema consumista que hipotecou o futuro, desmantelou gradualmente as estruturas que mantinham a coesão social e comercializou a moral. O correspondente Silio Boccanera foi até a casa de Zygmunt Bauman, em Leeds, para conversar com um dos sociólogos mais importantes de nosso tempo. Veja a entrevista completa no Milênio desta segunda-feira, 16/01, às 23h30 na Globo News.


Fotos: Julia Pimentel

sábado, 22 de outubro de 2011

Pela educação

Encontrei esse cartaz fantástico no Abduzeedo. A República Anarquista Multitudinária também é solidária com o povo do Chile. E que todas as viúvas do Pinochet padeçam de Alzheimer.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Wall Street: Por que os policiais estão batendo neste rapaz?


Postando o vídeo da reportagem de Lawrence O'Donnel, mencionado pelo PC no post anterior. Não preciso comentar muita coisa, porque o conteúdo é auto-explicativo:



The reason that man is being assaulted by the police is because of what he has in his hand. He’s holding a professional grade video camera.





Entrevista com nosso V, presente no local

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O dia em que a gentalha ocupou Wall Street





O movimento certamente merecia um texto melhor, mas estou sem tempo. Talvez o PC escreva alguma coisa depois. De qualquer forma, vou repassando as belíssimas fotos e o manifesto traduzido.


Descobrimos onde foram parar os Vs de nosso blog.


Feministas querem capar o touro!


O guarda tenta impedir, enquanto seus companheiros lixam as unhas.



Apenas uma inspeção de rotina.

Don King garantiu sua presença no evento.

Claro que não podia faltar nosso comuna chic favorito.

Moradores do Menino Deus também compareceram em peso.

Levando um baderneiro bebum embora.

Passinho a frente, faz favor!

Fanboys da Apple também prestigiaram o evento.

E olha a identidade secreta de nosso V.