terça-feira, 14 de agosto de 2012

Quando a esquerda assume o papel da direita


Minha intenção inicial era escrever um post sobre como ando decepcionado com os rumos que o Governo Dilma tem tomado, em especial relativamente à demonização dos servidores públicos. Mas a capa da gossip-magazine mais famosa do Brasil já diz tudo.

Ao contrário de Lula, que tinha verdadeiro compromisso com o povo, Dilma tem se demonstrado uma tecnocrata de fazer inveja a qualquer tucanalha da vida. Profunda decepção minha.


sábado, 11 de agosto de 2012

Russas com punk rock até os ossos


Aproveitando o fim-de-semana olímpico para postar uma notícia importantíssima veiculada pelo site da cartacapital. 

No embalo do punk rock moscovita, só tenho a dizer o seguinte:

Mensalão my ass! Julgamento do século é esse aqui:



Rússia

09.08.2012 10:11

Pussy Riot, entre Putin e a Igreja

Enquanto no Brasil os onze ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam os casos de 38 réus denunciados pelo “mensalão”, um julgamento de igual ou até mesmo maior clamor social se desenrola em Moscou desde a semana passada.  Sem serem acusadas de lavagem de dinheiro ou por desvio de verbas, três meninas da banda punk Pussy Riot dividiram a opinião pública depois de terem sido levadas à corte por conta de um protesto contra o presidente Vladimir Putin, durante um culto na Catedral Cristo Salvador, na capital russa.
O episódio aconteceu no dia 21 de fevereiro deste ano. Encapuzadas e carregando guitarras, cinco meninas invadiram a catedral com câmeras de vídeo e correram para o altar (onde, segundo a tradição, apenas homens podem subir), entoando uma “oração” que criticava o apoio da Igreja Ortodoxa ao governo. A letra da canção pedia: “Maria, mãe de Deus, tire Putin do poder”.
As Pussy Riot Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yekaterina Samutsevich, presas por protestar dentro da igreja  Foto: AFP
O vídeo foi publicado no Youtube e logo se tornou um viral na internet. A polícia – que na ocasião só havia interrompido o ato – foi acionada e três das cantoras que realizaram o protesto acabaram sendo presas, denunciadas por vandalismo.
Desde então, Yekaterina Samutsevich, de 29 anos, Nadezhda Tolokonnikova, de 22, e Maria Alyokhina, de 24, permanecem na cadeia, situação que, de acordo com o jornal britânico The Guardian, não é comum na Rússia, onde a prisão geralmente só acontece após o julgamento. Em março, as meninas tentaram ser soltas,mas a Justiça russa decidiu mantê-las em prisão preventiva.
O julgamento
Na segunda-feira 30 de julho foram iniciadas as audiências, que estão sendo transmitidas ao vivo pelo site do tribunal Jamovnicheski de Moscou. No primeiro dia de julgamento, a promotoria afirmou que o trio poderia pegar até sete anos de prisão, mas na última terça-feira 7 a condenação foi estimada em três anos.
Os promotores afirmam que as ações mostram “claramente ódio religioso e inimizade” por parte das cantoras e completam dizendo que “houve zombaria verdadeira e humilhação dirigida às pessoas na igreja”.
A Igreja Ortodoxa pediu que o grupo também fosse acusado de blasfêmia. Pelas falas dos promotores, percebe-se que a Justiça russa achou legítimo o discurso da igreja. Existe um consenso de que “neutro” é a última coisa que este julgamento está sendo. Apesar disso, na quinta-feira 2, Putin disse que as meninas não deveriam ter um julgamento tão duro.
Nas imagens transmitidas ao vivo durante as audiências, Yekaterina, Maria Alyokhina e Nadezhda aparecem calmas e sorridentes. Na quarta-feira 8, a última comparou o julgamento a um ato stalinista. “O julgamento se parece com o das troikas da época de Stalin”, declarou, em referência aos grupos de três pessoas que, a partir dos anos 30, condenaram de maneira sumária e arbitrária milhares de soviéticos acusados de crimes políticos a anos de campos de reclusão ou à pena de morte.
O tribunal deve dar sua sentença final no dia 17 de agosto.
Apoio internacional
Grupos de direitos humanos já se manifestaram em favor das Pussy Riot. “A decisão do tribunal não dependerá da lei, mas da vontade do Kremlin”, disse Liudmila Alexeieva, uma moscovita que chefia o grupo de defesa dos direitos humanos Grupo de Helsínquia, a uma agência internacional de notícias.
Na noite de terça-feira 7, Madonna disse durante um show em Moscou que rezava pela liberdade das russas. Ao surgir no palco com a inscrição “Pussy Riot” pintada em suas costas, a cantora causou estardalhaço na plateia. O apoio de Madonna ao grupo se soma ao de outras celebridades, como as bandas Red Hot Chilli Pepers, Franz Ferdinand, Faith No More e os músicos Sting e Peaches. Yoko Ono, viúva de John Lennon, pediu em sua conta no Twitter para Putin libertá-las.
Do lado político, 120 deputados federais alemães expressaram “preocupação” com o caso, em uma carta enviada ao embaixador russo em Berlim. E segundo o jornal russo Kommersant, o ministro tcheco das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg, também expressou seu apoio.
A banda
As Pussy Riot se inspiraram nos grupos punk femininos dos anos 1990, como o Bikini Kill, que irrompeu na cena musical moscovita no início do inverno passado com letras agressivas e performances pouco habituais.
Consideram-se um movimento avant-garde de uma geração descontente com Putin, que está há 12 anos no poder. Interpretaram que o país precisava de uma banda militante de street punk feminista, que pudesse tocar nas ruas e praças de Moscou e mobilizar a energia pública contra o governo e a dominância masculina, além de militar pelas causas LGBT.
Essa não é a primeira vez que o grupo tem problemas com o Estado russo. Em janeiro, a banda foi detida depois de tocar na Praça Vermelha, espaço símbolo dos militares, a música Revolt In Russia.
Quando questionado sobre sua opinião a respeito do governo Putin, o grupo costuma rebater:  “Como você via a Líbia sob o governo de Gaddafi? Como você vê a Coreia do Norte sob o governo de Kim Jong-un?”
*Com informações da AFP e do jornal The Guardian

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Band of Misfits

"Pirates: Band of Misfits" é uma animação inglesa em stop-motion roots, na mesma linha dos filmes da duplinha Wallace & Gromit e Fuga das Galinhas.

O título em português - ˜Piratas Pirados - não faz jus ao nome original, que é uma referência quase literal à banda formada por Glenn Danzig. Claro que não poderia faltar punk rock na trilha sonora. Aliás, é uma escolha bastante acertada, já que o bando de desajustados em questão encontra como inimigo ninguém nada menos que a Rainha Vitória. Destaque para a cena, ao som de  London Calling, que mostra o Império Britânico tentando abraçar o mundo, sempre atrapalhados por piratas no meio do caminho.

A aventura envolve ainda a figura ilustre de Charles Darwin e uma dodô confundida com papagaio de pirata. Como sempre, as coreografias da equipe de Peter Lord e Jeff Newitt esbanjam criatividade e fino humor britânico.

Há ainda muitas piadas envolvendo política e história, que certamente serão ignoradas pelas crianças, bem como pela maioria dos adultos que assistirem. Coisas tipo o pirata deixar o butim na ilha de Flandres, onde há uma loja de "Duty Free". Os créditos finais também são cheios de piadas e referências mais obscuras, que mostram um humor inteligente nas entrelinhas. Também, só podia ser coisa de britânicos.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Homenagem a Caetano Veloso

Texto do André Forastieri. Fechando com linda música dos Replicantes para o Baiano mais amado do Brasil (desde a morte do saudoso ACM).

Caê recebe a bença de Painho


Caetano, 70 anos e 30 sem fazer um disco decente: parabéns (pelos seus fãs)

Caetano Veloso completou setenta anos. A imprensa empinou ensaiadinha o rabicó, coreografia previsível, estilo abertura das Olimpíadas. Submissão abjeta à autoridade e ao consenso que compensa. Surpresa zero. Mas se o tema das matérias era o passado do cantor, compositor, músico, muso, e ênfase é o presente. Pergunto: que presente? Caetano não importa há três décadas.

Li em uns cinco lugares diferentes que Caetano continua tão relevante como sempre. Que sua produção atual não destoa de seu melhor; suas opiniões políticas repercutem; suas recomendações artísticas pesam. Os artigos, inclusive dos amigos aqui da casa, foram da generosidade disfarçada de imparcialidade à subserviência total.

Me tenta deixar pra lá. Com Caetano é sempre assim. Provoca paixões ou vomitório, nada intermediário. Nunca escrevi sobre Veloso, e não será hoje. Me entediam sua bazófia, ansiedade e glossolalia. A vida é curta e os fãs de Caetano, à prova de argumentos. Já sei o que penso. E ele é um senhor, ou, mais precisamente, um sinhozinho. Podia ser meu pai. Vamos respeitar o tio.

Mas não vamos respeitar suas fanzocas baba-ovo, coisíssima nenhuma. Pau neles, ou, se for o caso, você. Tenho prática. Vinte anos atrás eu costumava animar festinhas desanimadas zoando os zumbis-Caê. Jornalistaiada jovem e companhia, festinha no apê, turminha reunida em volta da geladeira, cerveja gelada, cheiro de maconha etc., discussões esquentando, eu jornalista culturets, suposto entendedor de música.

Bola quicando, eu chutava: a questão não é se Caetano Veloso já fez um monte de música boa. Claro que fez! (Qual? Minha resposta de arquivo é Leãozinho, que fãs de Caetano frequentemente odeiam, eu acho uma beleza de canção de ninar).

O problema, explicava eu acendendo espocando outra latinha, não é Caetano, é gente como vocês, que continuam babando por ele, batendo palmas sem pensar, quando ele não faz um disco que preste há muitos anos. Polêmica! Contestações raivosas: como assim? Tá maluco? E essa música, e aquela outra da novela ano passado, e o dueto com não sei quem?

E aí eu cravava a estaca: não estou falando de uma canção ou outra. Estou falando de um disco decente. Quer dizer, de dez músicas do álbum, pelo menos um terço tem que ser de bacanudas. Cite aí, amigo, três canções sensacionais de um disco recente de Caetano Veloso. Silêncio. Tentativas falhas.

Eu rebatia: não, essa é do Araçá Azul, essa é deste, essa não foi composta por ele, só vale composição própria etc. (quase tudo enrolação minha...). O fato é que NINGUÉM jamais acertou três músicas decentes pertencentes ao mesmo álbum. Rendia uma meia hora de bate-boca, seguida de um satisfatório calaboca nos coleguinhas.

Hoje seria mais fácil ainda. Conferi há alguns minutos a discografia completa de Caetano. Encontrei vários discos que têm três músicas inquestionavelmente legaizinhas, pelo menos. São todos dos anos 70. Lá se vão três décadas. Não é nem de longe suficiente para beatificação.

Compare com ícones pop coroas de fora (Dylan, Jagger, Bowie, McCartney, Lou Reed e outros que fizeram canções memoráveis e relevantes no passado distante) e veja se encontras na crítica ou opinião pública gringas babação de ovo semelhante a que vemos com Caetano no Brasil. Não mesmo.

Caetano sobrevive da admiração acrítica de fãs bestas e, principalmente, da condescendência da imprensa. É compositor para panelinhas, sempre correndo para colar na nova modinha. Invariavelmente chega atrasado, mas sempre a tempo de passar por vanguardista junto aos desinformados, quem acredita ou se importa com vanguardinhas.

Em 2050, esqueleto de Caetano brilhando no caixão, ele será lembrado por Sampa, Alegria, Alegria etc., suas canções mais populares e antigas, umas 15 ou 20, que ficarão como retrato de uma época distante. Não é pouco. Também não é grande coisa.




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Fox confirma sequência de Prometheus


Como eu já esperava, a Fox confirmou a sequência de Prometheus para 2014 ou 2015, com Ridley Scott na direção e Michael Fassbender e Noomi Rapace no elenco. Infelizmente, Damon Lindelof ficará de fora dessa vez.

Que venha mais um excelente filme de FC!!!


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O filme do cineasta gagá

Li essa "crítica" ou texto (ou seja lá o que for isso) do Jabor falando do Batman e achei uma pérola. O cara sequer tem conhecimento que o personagem é da DC. Parte do pressuposto que todos os gibis de super-herois são propriedade da Marvel. E acredita que o personagem ainda é aquele que formava a dupla gay mais famosa da televisão nos anos 60.

Que o morcegão é de direita até a avó do Charles de cueca sabe. É fato tão notório quanto sua predileção por garotos que usem calças curtas. Acho que o Jabor queria ser o Coringa do Heath Ledger, mas só conseguiu se transformar no bobo daquela corte conhecida como Imprensa Livre (PIG para os mais íntimos), após fracassar epicamente como cineasta. Isso sem lembrar daquele período em que foi ministro...

Não sei se o cara ficou gagá com o excesso de drogas nos anos 70. Mas podia ter pelo menos a dignidade de se aposentar. Assim, seus filhos não teriam que passar pelo constrangimento que é ter um pai com delírios paranoides e idealizador de teorias da conspiração que até Fox Mulder relutaria em tentar entender.

Prefiro pensar em Independence Day e Godzilla como exemplos de filmes ruins, que nunca deveriam ser levados a sério. Mas temos aqui um intelectual que acredita piamente que tais filmes foram a causa do 11 de setembro. Jabor, faz um favor para a gente aqui: vai fica em casa assistindo todas as adaptações cinematográficas de Nelson Rodrigues. Pode até fumar um baseadinho de vez em quando, mas pega leve. E nos poupe de seus comentários.

- Filho, se você usar drogas, vai ficar que nem esse tio da televisão aí!



'Batman' é o 'rock do americano doido' - ARNALDO JABOR

 GOZAMOS O TEMPO TODO
COM O MAL E, NO FINAL, OS
PRODUTORES NOS “CONCEDEM”
O ARBÍTRIO DE ESCOLHER O BEM,
QUANDO A TECNOLOGIA E AS
CENAS CELEBRAM O MAL
DURANTE TODA A PROJEÇÃO


Fui ver o "Cavaleiro das Trevas", mas não vou analisar o Batman como 'arte'. Agora existe um novo tipo de coisa - um filme-game que não se mede por estrelinhas ou bonequinhos aplaudindo. Não existe mais ‘gostei’ ou ‘não gostei’. Os roteiros não contam mais, a mise-en-scène é a tempestade de planos de três segundos montados em enxurrada com efeitos especiais incessantes.

O significado dos filmes está além deles. Interessa ver os conceitos que estão por baixo das cenas, a intenção por baixo da ação. O filme se esconde no décor - ali está o verdadeiro sentido. Acabaram mocinhos x bandidos; as personagens principais são as coisas, os computadores, a tecnociência.

Esse filme se pretende mais complexo que os outros; mas não é. Parece "complexo", mas é apenas "emaranhado". Isso. Assim como o mistério da arte é abolido no "entretenimento", nos atuais filmes de ação a "complexidade" é substituída por um simulacro: o proposital "emaranhamento", que nos dá a sensação de "profundo". É claro que o Batman é um herói genial, que os outros empregados da Marvel são heróis encantadores das histórias em quadrinhos. Nada contra as aventuras maravilhosas que tinham uma cândida simplicidade nos enredos. O que enche o saco é ver como os produtores se apropriam dessas historinhas ingênuas e tentam dar-lhes um sentido do ‘ar do tempo’, construindo um sarapatel de fatos políticos: terrorismo, patriotic act, política do medo, impotência social, numa espécie de ‘rock do americano doido’... "Ah... deixa de ser chato; é apenas gibi filmado..." Gibi é o cacete - alguns desses filmes são manifestos com interpretações ridículas sobre o momento atual. E ninguém percebe.

No entanto, gostei muito do Batman 2, com o Heath Ledger criando uma obra-prima rara no cinema, uma ilha do cinismo contemporâneo, misturando bem e mal, misturando horror e simpatia. "Escolhi o caos" - ele diz para o Batman. Heath, de certo modo, faz uma crítica ao próprio filme. Heath é quase uma paródia do "grande espetáculo", é um marginal dentro do elenco.

Claro também que do meio desse barroquismo digital, linguagens e verdades podem estar nascendo. Mas se descascarmos as camadas de significação, em meio ao enxame de efeitos especiais, podemos ver Batman e outros como "sintoma", como queriam os professores da "filmologia" francesa. Nos anos 60, Gilbert Cohen-Seat criou uma espécie de filosofia do cinema, a filmologia, em que analisava não só os filmes, mas o berço de onde saíram, o chão histórico de onde brotavam. Foram várias fases desse pós-cinema de porrada e velocidade.

Nos filmes violentíssimos dos anos 80, com os atores brutais como Sylvester Stallone, Van Damme etc., Hollywood inventou o prazer do sangue, das facas dentadas, dos peitos estourados, das metralhadoras fálicas. Era a safra do cinema pós-Vietnã, como uma vingança na tela pela derrota humilhante dos americanos pelos guerreiros comedores de arroz; eram um show de força para compensar o fracasso da guerra.

Mais tarde, ainda antes do "11 de Setembro", rolou a grande onda de filmes sobre a destruição de Nova York. Parecia uma sugestão ao Osama, que acabou realizando essa volúpia destrutiva, satisfazendo esse estranho desejo de autoextermínio dos americanos. Por quê? Ninguém filma Paris acabando ou Londres em pó. Mas, americano paranoico só pensa em inimigos. Podem conferir as obras: os USA invadidos por "Godzillas", por discos voadores letais, por asteroides, por explosões no "Armageddon" (há em Godzilla uma cena absolutamente igual à multidão real de 2001, fugindo pela rua, com as torres se suicidando ao fundo. Aliás, no mundo real, as próprias torres encarnavam uma arrogância arquitetônica, pedindo bombardeio.)

Osama, o Coringa do deserto, acabou com a ideia de guerra. Osama nos atacou de outro tempo - fora da história. A queda das torres do WTC está nos filmes de hoje como uma cicatriz na dramaturgia. Neste Batman 3 também tiveram o prazer de massacrar a Bolsa de Valores (dezenas metralhados como em Colorado), de explodir o Super Bowl, de ver a cidade tomada, a ponte doi Brooklyn desabando. Por quê?

Recentemente, a violência dos "estoura-peitos" e o suicídio virtual dos filmes-catástrofe deram lugar a uma cultura de massas mais "reflexiva". Hollywood, claro, se apropriou até dos heróis anarquistas ou psicopatas, ameaçando a ‘boa’ sociedade. Passaram a fingir uma ‘crítica ao Sistema’ como em Matrix ou o Clube da Luta, que foi a tela de onde surgiu o nosso assassino Matheus, alguns anos atrás em São Paulo, lembram?

Hoje, a verdade de Hollywood está fora das telas, nas motivações financeiras e paranoicas dos produtores. Já se disse que o 11 de Setembro em NY foi o único momento de realidade na escalada do mundo virtual. Depois da catástrofe das torres e agora, com a tremenda crise do mundo atual, o cinema só quer faturar em cima da confusão, explorar o inexplicável com fábulas ridículas com terroristas angustiados, monstros do mal e heróis do bem, tudo bem simplificado para agradar à patuleia. Onde estão os comportamentos humanos verdadeiros? Ninguém liga mais para isso.

Este filme não é o Bem contra o Mal. Fala sobre a liberdade do povo, mas deixa um odor republicano no ar. Gozamos o tempo todo com o mal e, no fim, os produtores nos "concedem" o arbítrio de escolher o bem, quando a tecnologia e as cenas celebram o mal durante toda a projeção. Este "meio" é muito mais importante que as "mensagens" que, ao final, vêm em pequenas lições morais defendendo a família, a solidariedade, o amor.

No Batman, a política e a polícia tentam dar conta da imensidão da corrupção e da criminalidade global. Ninguém sabe o que fazer, mas o cinema americano acha que sabe, com suas alegorias paranoicas e lucrativas. Quando Osama-Coringa atacará de novo?


ESTADÃO
O GLOBO
31/07/2012