quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

E viva o multishow hd!

A televisão brasileira é um lixo só. Pelo visto, a televisão mundial segue o mesmo caminho, com programinhas descartáveis, reality shows bizarros e um jornalismo muito do capenga (com honrosas exceções). Para cada bom programa, temos dezenas de produtos embaladinhos para despertar no telespectador o que de pior o ser humano sentir.
Por isso sempre é um alento ligar a tv a cabo e verificar a programação do multishow hd. Enquanto seu homônimo mais antigo segue com a fórmula de sempre, o hd oferece aos fãs de música um acervo bacana e surpreendente de shows, clipes e documentários dos mais variados. Claro que nem todos são excelentes, mas o saldo tem sido bem positivo. Já consegui assistir de clássicos como "Ziggy Stardust" a shows recentes de bandas legais como "Kaiser Chiefs" e "The Killers", sempre sem intervalos e com imagem em alta definição. 
Ultimamente, os documentários em particular têm me chamado bastante a atenção. O do Clash, "Rebel Truce", é excelente, assim como o do "Duran Duran", sobre o making of do clássico álbum "Rio". Ambos trazem informações relevantes sobre bandas importantes na história do rock. Mais recentemente, o canal exibiu "Pearl Jam: twenty", belíssimo registro sobre os 20 anos de carreira do Pearl Jam, dirigido por Cameron Crowe, e que chegou a ser exibido em (poucos) cinemas do Brasil.
Mas confesso que, dos que vi recentemente, foi o do Iron Maiden que mais me impressionou. O filme "Flight 666" foi gravado durante a turnê "Somewhere back in time", na qual a banda reapresentou seu repertório clássico aos fãs mais novos, tocando nos shows, com raras exceções, somente músicas dos álbuns "The number of the beast", "Piece of mind", "Powerslave" e "Somewhere in time", representativos do auge da carreira dos metaleiros ingleses. A equipe de filmagem acompanhou a "Donzela de Ferro" a bordo do boeing particular da banda, pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson, e conseguiu flagrar e captar belos momentos, como a interação entre os membros, a relação com os fãs e as horas de lazer (gastas em jogos de futebol, golfe e tênis). 
Apesar de mostrar a passagem da turnê em várias partes do mundo, a passagem pela América Latina  é a mais marcante. O próprio Bruce Dickinson admite que, abaixo da linha do Equador, as coisas ficam "quentes". Fãs absolutamente fanáticos, shows em lugares inusitados (como um parque em Bogotá) e uma maratona absurda de concertos. Já aconteceu até mesmo de serem banidos pela Igreja Católica chilena. Para os fãs brasileiros, o filme tem sabor especial, com imagens do primeiro Rock in Rio e o registro de um padre (!) que prega os valores (!) contidos nas letras do Iron. Impagável.
Ao final, quando constatamos que gente como Tom Morello, Ronnie James Dio e Lars Ulrich prestam depoimentos quase emocionados (principalmente Morello!) ao falar do Iron Maiden, e vemos o quanto eles dominam o palco, até mesmo aqueles que não são fãs da banda têm que admitir que os caras transcenderam o movimento "heavy metal" para se consolidarem como um legítimo gigante do rock, digno de figurar em qualquer lista de maiores de todos os tempos. O mais interessante, no entanto, é que isso tudo aconteceu sem apoio das rádios e da mídia em geral, apenas com o legítimo carinho de fãs que se renovam a cada dia, coisa que muita banda queridinha da crítica não tem e jamais terá.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Zygmunt Bauman na Globo News

Não percam: hoje às 23h30min, na Globo News.
Zygmunt Bauman é o meu autor de auto-ajuda (no bom sentido) preferido. Os livros do sociólogo são muito mais úteis para qualquer ser humano nos tempos atuais do que aquelas baboseiras positivas e pró-ativas. É um pensador que dispensa apresentações. Contudo, para os que não conhecem, passo uma introdução extraída do programa Milênio, um dos poucos que prestam nessa TV a cabo de merda.


Horários de exibição

Programa inédito
Seg 23:30

Horários alternativos
Ter 03:30, 11:30, 17:30
Qua 05:30
Dom 07:05




Zygmunt Bauman e o sistema que hipotecou o futuro

qui, 12/01/12

por Equipe Milênio |

categoria entrevistaProgramas



Em agosto de 2011, uma revolta em Londres chamou a atenção do mundo. Sem liderança aparente ou qualquer tipo de exigência, jovens foram às ruas. Incendiaram e saquearam lojas, invadiram shopping centers e destruíram símbolos da sociedade de consumo que os excluía.

A questão era intrigante. O que levou essas pessoas a essas ações violentas? Embora compartilhassem o contexto de crise econômica e falta de oportunidades com aqueles que levaram a cabo os movimentos da Primavera Árabe, os jovens do Reino Unido não queriam transformar a ordem. Segundo Zygmunt Bauman, “foi uma revolta de consumidores desqualificados”. Eles queriam, na verdade, participar do sistema. O sociólogo viu naquela revolta o símbolo do momento em que vivemos.

Bauman foi uma testemunha das mudanças desse século de extremos. Nascido em 1925, na Polônia, sobreviveu ao nazismo, vivenciou o comunismo e, há 40 anos, pesquisa e mora na Inglaterra. Sua maior contribuição foi o conceito de liquefação dos laços sociais. Por mais que nossas relações não tenham perdido densidade ou complexidade, elas passaram a ser mais fluidas e incertas. As mudanças no modo de produção desencadearam uma série de pequenas revoluções no cotidiano que, aos poucos, criaram o contexto para que a sociedade atual se desenvolvesse.  De uma fábrica que detinha cada etapa da confecção de um bem, temos hoje cadeias de produção que se espalham pelo mundo como teias que se entrelaçam graças à tecnologia da informação e aos transportes cada vez mais rápidos. O tempo que era linear tornou-se instantâneo e o conhecimento passou a ser a base para a geração de valor. Em poucos anos, o capital que era sólido e fixo, ganhou enorme liberdade no espaço e no tempo.

Como consequência, todo o tecido social foi afetado. No nível do trabalho, a atualização e a capacitação profissional passam a ser constantes e a renovação dos quadros não mais obedece uma ordem linear. Foi rompida a sequência entre escola, universidade e trabalho. O mercado busca cada vez mais a especialização e muitos diplomados acabam em subempregos ou desempregados. Na arquitetura, os não-lugares – shopping centers, estradas, aeroportos – representam pontos de conexão em uma rede de fluxos indefinidos. Governos ficam à deriva em um contexto que Bauman classifica como “divórcio entre política e poder”. Na vida pessoal, a constante necessidade de se redefinir, de se aprimorar e de se adaptar cria um ambiente de insegurança e angústia. A saída, para muitos, é o consumo. Um alívio rápido que permite que se estabeleçam laços com determinado grupo ou idéia, mesmo que de maneira fugaz, pois sempre haverá algo mais novo ou mais interessante. Os estímulos constantes e a necessidade de criar para agregar valor fecham o ciclo de um sistema que se retroalimenta e se expande a uma velocidade que parece sempre maior do que se pode acompanhar.

Para Bauman, aqueles jovens demonstraram a crise de um sistema consumista que hipotecou o futuro, desmantelou gradualmente as estruturas que mantinham a coesão social e comercializou a moral. O correspondente Silio Boccanera foi até a casa de Zygmunt Bauman, em Leeds, para conversar com um dos sociólogos mais importantes de nosso tempo. Veja a entrevista completa no Milênio desta segunda-feira, 16/01, às 23h30 na Globo News.


Fotos: Julia Pimentel

domingo, 15 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne

Fui ver o filme do Tintin e tive uma grata surpresa. Aventura (bem) animada, no melhor estilo filme de aventura old school, daqueles que muito serviram de inspiração para os Indiana Jones e seus genéricos.

Neste aspecto, a dupla Spielberg/Peter Jackson não me decepcionou ao adaptar o personagem de Hergé, ou, como os franceses gostam de chamar, "Walt Disney europeu". Confesso que não conheço muito das histórias do Tintin. Li alguma coisa na infância, e me lembro que eram gibis numa linha mais classe-média-alta, daqueles que não se vendiam em bancas, mas em livrarias, em belas edições encadernadas, na linha do também francês Asterix, e eram acessíveis só para alguns amigos meus mais abastados.

De qualquer forma, me interessei pelo personagem e vou procurar os gibis, assim como os desenhos antigos (que passavam na TVE, se não me engano). É uma pena que esses tipo de gibi (assim como o Asterix) hoje são raros de encontrar em livrarias. Talvez o filme sirva de "incentivo" para as editoras, vamos ver...


O pessoal aqui do blog conhece a identidade secreta do Tintin, quando ele não está trabalhando como repórter investigativo. O blusão azul com a gola para fora, a gabardini bege, o topete (hoje em dia, bem mais rarefeito), e a preferência por amigos da ala da geriatria.



Tintin fugindo da ira de seu desafeto Michel Hallal
DR. CLAUDIOMAR: Ai! Se pelo menos tivesse a minha pinga...
TINTIN: eu não bebo café, água, coca-cola, cachaça, nada dessas coisas.
DR. CLAUDIOMAR: Sem querer ofender, guri. Na bunda tu não toma?


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ressurgindo das cinzas

E não é que o Van Halen voltou mesmo? E com David Lee Roth nos vocais! O saldo bancário dos veteranos deve estar pendendo para o vermelho e eles resolveram voltar ao batente, com disco novo, turnê mundial e o diabo a quatro. Pena que a banda tenha se transformado num grupinho de velhos nepotistas e controladores, haja vista a inclusão do balofinho Wolfgang Van Halen (filho de Eddie) após a saída do baixista Mike Anthony (que, por sua vez, montou o horroroso "Chickenfoot", com o não menos horroroso Joe Satriani). 
O resultado? Um single abaixo da crítica, que inicia a divulgação do álbum de inéditas "A different kind of thruth" e em nenhum momento lembra o Van Halen dos bons e velhos anos 80, com seus riffs matadores e refrões espertos. Pelo visto, será um alívio se eles fizerem o setlist dos novos shows somente com as músicas antigas. Aceito até as faixas do "Diver Down". 
E eu que pensava que o fundo do poço tinha sido a contratação do ex-vocalista do Extreme nos anos 90…

Entenda o PIG

Esse post o PC vai se interessar. A narração já começa bem com "a verdadeira legalidade, a legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que mais de fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares"...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Clash, Joe Strummer y su alma latina


Depois do post de Francis, muito legal, resolvi apresentar algumas considerações sobre as relações entre o Clash, Joe Strummer e o Terceiro Mundo, especialmente a América Latina. Especialmente pela certeira afirmação de que as letras e as músicas do CLash parecem ter sido compostas para serem cantadas en español.
Bueno, está certo que o termo Terceiro Mundo é demodè, que hoje de fala de países em desenvolvimento e seus assemelhados e dessemelhados, mas, vá lá, fica o termo no texto, contextualizado nas letras de uma das maiores bandas da história e de um de seus maiores letristas e compositores. Strummer e seu colega Mick Jones, vale dizer, são uma espécie de Lennon e Mccartney do apocalipse, da pós-modernidade.
Num dos clássicos, entre os clássicos, do Clash, figura Spanish Bombs, uma letra que trata sobre a guerra civil espanhola, de triste final e que deu ao mundo Franco e os Opus Dei. Una Mierda. A letra da dita música tem partes em espanhol, e se refere as trincheiras cheias de poetas. Eis que o próprio Clash, por obra de Strummer, se tornou em uma das trincheiras do Rock (do combat rock, como o disco derradeiro - não considero cut the crap), com letras fantásticas sobre o mundo capitalista em seus dias de guerra fria contra o "demônio vermelho".
Outras marcas indeléveis, para siempre, estão presentes na obra do Clash e demonstram certa latinidad, alguma identidade com Latino America. O maior exemplo é o álbum SANDINISTA, explícita referências e homenagem aos guerrilheiros que lutavam contra a ditadura de Somoza e "famiglia" na Nicarágua, e contra a CIA que empenhou-se na defesa do ditador.
Posteriormente, já na carreira solo, montou uma banda chamada the mescaleros, outra demonstração de relações com o mundo latino americano. Ademais, é farta a presença da influência caribenha na música do Clash, especialmente a partir álbum London Calling, um dos maiores discos da história do rock.
Mas, de onde partiram as pautas terceiro-mundistas e a influência latina para as músicas do Clash? Do próprio Strummer, que nasceu em Ancara, na Turquia, na borda entre Europa e o mundo árabe. Filho de agente diplomático, morou também na Cidade do México.
Em 2012, no final do ano, fará dez anos que Strummer se fué de la vida, pero inserió su nombre en la historia. Ficou o registro de uma obra na qual a perspectiva cosmopolita se fazia presente, com olhares para além dos muros da ilha inglesa.
Aproveitando o tema: me lembrei de uma cena do filme rock'n'rolla, de Guy Ritche, no qual um dos personagens lembra de sua adolescência, dançando Bank Robber, e sendo reprimido, a pau, pelo pai ou padastro, que diz detestar a música. Ironicamente, o pai ou padrasto em questão é o mafioso do enredo.



sábado, 31 de dezembro de 2011

dia de ano novo

Climão de ano novo…
Nada como encerrar o ano com uma das maiores bandas de todos os tempos fazendo o que sabe fazer melhor: mandando muito bem ao vivo.