domingo, 3 de junho de 2012

Zygmunt Bauman no Fronteiras do Pensamento (2011)

Bauman na edição de Fronteiras do Pensamento do ano passado.


BBC HD no Brasil


Essa semana estreou o BBC HD na NET. Como o PC já sabe, há anos que sonho com um canal de documentários da televisão inglesa na minha pobre (e cara) TV a cabo tupiniquim. Admiro muito os programas de alta qualidade dos caras, em especial os documentários, mais especificamente, aqueles que abordam temas políticos.

Bom... infelizmente o canal inglês parece estar deixando muito a desejar ainda. Documentários sobre automóveis (Top Gear) já tenho que aturar naqueles canais spin-offs da Discovery. Sobre a Amazônia tem até o horroroso Globo Repórter, com aquela música de abertura que dá medo.

Mas, para não dizer que a experiência foi totalmente frustrante, tem a série do Sherlock Holmes que é MUITO legal. Paradoxalmente, traz o famoso detetive vivendo nos dias atuais, mas consegue ser muito mais fiel ao personagem original que, por exemplo, a franquia cinematográfica do Guy Richie, estrelada pelo Homem de Ferro Robert Downey Jr.

Ao contrário da versão hollywoodiana, que prima por transformar Holmes num heroi de ação (e, inclusive pegador), a série britânica traz um Sherlock cerebral e apegado ao trabalho. As piadas sobre a sexualidade do detetive, embora previsíveis, são bem sacadas e combinam com uma Londres moderna. Todos os elementos do personagem de Conan Doyle estão lá, mas com uma sutil e britânica modernização. Sai o cachimbo, entram os adesivos de nicotina. Sherlock usa o Google para fazer suas pesquisas e tem um blog (pelo jeito bem mais conhecido que esse nosso). Mesmo sendo adaptações bastante livres dos roteiros originais, a série prima trazendo elementos que vão conectar o espectador com o leitor. É o que ocorre, por exemplo, no lance da pílula de veneno em "A study in pink", piloto da série.


sábado, 2 de junho de 2012

Os gregos trabalham bem mais que os alemães


A crise na Europa começa a bater aqui no Brasil. Na verdade, a crise americana de 2008 bateu depois na Europa, e as ondas de choque continuam se espalhando; o capitalismo, sempre ele, é que está em crise, mais uma. A Grécia está de fato no bico do corvo; talvez saia da União Europeia, abandone o Euro, restaure o dracma.
Na Espanha está difícil conter corrida aos bancos. O ministro do país negou hoje que esteja sendo preparado um pacote de ajuda do FMI, garantia de que é isso mesmo que está acontecendo. Portugal, Itália, Irlanda - solução difícil, sem mudanças de fato, e mudar nunca é fácil.
De todas as besteiras que se fala sobre a crise na Grécia, a mais injusta é que os gregos estão nessa situação difícil porque são vagabundos. É mentira. E mesmo assim se espalhou e cristalizou. A gente vê a mesma cantilena repetida infinitamente. É imprensa, articulistas, políticos.
Os gregos são boas-vidas, todo mundo garante. Levam a vida na flauta, só curtindo o sol esplendoroso, o mar turquesa, o ouzo e os kebabs. Safados, se aproveitando do dinheiro que a Alemanha manda para eles.
Pobres trabalhadores tedescos, gente séria, que pega no pesado e vê sua grana suada sustentando esses gregos picaretas. E os jovens gregos ainda querem fazer universidade de graça! E os velhos gregos ainda querem receber as aposentadorias integrais!
Bem, a BBC fez uma pesquisa para identificar os países em que se trabalha mais. Só entre os países que fazem parte da OECD (Organization for Economic Cooperation and Development), um clube de 34 países que se ajudam, a maioria europeus, a maioria bastante ricos. Na média, as pessoas que vivem nestes países trabalham 1718 horas por ano.
Onde mais se trabalha é na Coreia (2193), seguida do Chile (2068), e em seguida... a Grécia, com 2017 horas por ano. Os Estados Unidos estão quase na média geral da OECD, com 1695 horas. E a Alemanha? É o segundo país onde se trabalha menos. São 1407 horas por ano. Só perde em horas livres para a Holanda. Veja a pesquisa completa aqui.
A crise na Grécia tem várias causas. A principal não tem nada a ver com o País: é a desregulamentação do sistema financeiro global. Nenhuma tem a ver com o quanto os gregos se esforçam para ganhar a vida. Se você quiser chamar algum povo europeu de boa-vida, mais justo dizer isso dos alemães.
Não que eu tenha nada contra boa vida. Meu ideal seria combinar o melhor dos dois mundos. Trabalhar só 1407 horas por ano, como os Alemães - mas vivendo na Grécia, não na Alemanha...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

E não é que furtaram o Art Spiegelman no Brasil?

Pois é. Parece até piada, mas aconteceu de verdade. Prestes a dar uma palestra no teatro da PUC-SP, o único quadrinhista vencedor do Pulitzer percebeu que foi agraciado com a famosa hospitalidade paulistana quando deu falta de seu laptop.
Obviamente, ficou deveras chateado e acabou adiando uma sessão de autógrafos que estava marcada para logo depois. Para sorte de Spiegelman, ele é adepto da prática dos backups e os prejuízos acabaram sendo minimizados. 
Agora parece que virou moda. Depois do Laerte, todo mão-leve de São Paulo virou aficionado por trabalhos inacabados de autores de quadrinhos famosos. Uma sugestão para os organizadores desses eventos: convidem o Frank Miller, o Rob Liefeld e o Jim Lee para uma visitinha `a pauliceia desvairada. Seria um típico caso de legítima defesa da arte...
Spiegelman: vacilou, dançou, mano!

PS: Também me contentaria com o Augusto Cury ou a Martha Medeiros...

terça-feira, 29 de maio de 2012

Silk Spectre II como Deborah Harry

Do Cinema em Cena.


Malin Akerman será vocalista do Blondie em longa
28/05 - 16h40
por Larissa Padron

Malin AkermanMalin Akerman (Watchmen – O Filme) será Debbie Harry, a vocalista da banda Blondie, em CBGB, filme que narrará o surgimento do famoso clube musical de Nova York.
De acordo com o site The Holywood Reporter, o longa será dirigido por Randall Miller que escreveu o roteiro junto com Jody Savin (ambos de Bottle Shock) e mostrará a fundação do clube por Hilly Kristal, na década de 70. Além do Blondie, o lugar lançou bandas como Ramones e Dead Boys e é considerado um berço do punk rock americano.
Debbie Harris, do BLONDIEAlém de Akerman, também estão no elenco: Alan Rickman (Harry Potter), interpretando Kristal; Rupert Grint (também de Harry Potter), como Cheetah Chrome, guitarrista do Dead Boys; Julian Acosta (da série Castle) e Joel David Moore (Avatar) como Johnny e Joey Ramone, respectivamente; e Stana Katic (007 – Quantum of Solace) como a produtora Genya Raven, que também era vocalista da banda Goldie & The Gingerbreads.
As filmagens começam no final do mês que vem na Georgia e depois vão para Nova York. Enquanto isso, você pode conferir Akerman em outro filme sobre rock, o musical Rock of Ages – O Filme, que estreia em 17 de agosto.

Simpsons homenageia Game of Thrones

Abertura de Os Simpsons faz uma homenagem muito legal à abertura de Game of Thrones.



Por sinal, a animação CGI com elementos de stop-motion da abertura original já é um motivo forte para acompanhar a série da HBO, que é uma das melhores da atualidade.



A propósito: ontem assisti ao maravilho episódio Blackwater. Com certeza o melhor episódio desta segunda temporada, e, possivelmente, um dos melhores da série. E sigo torcendo pelo anão, que é o personagem mais carismático e interessante, no meio de tantos honrados burros e traíras tanto espertos como estúpidos. Peter Dinklage merece os parabéns pelo belo trabalho com seu personagem.

Esse anão é foda!



domingo, 27 de maio de 2012

Occupy 3: quebrando o mundo

BBom, já que o post anterior foi sobre os nossos amigos da Insurgência, li esse post de Márcia Denser que parece ter servido como uma luva para o assunto.

Sinto um certo desconforto de pertencer à minha geração. Muitas coisas que são ditas como uma espécie de "identidade" de meus contemporâneos parecem estranhas para mim. É mais ou menos como na música do Ira, "não os sinto, não os tenho". Mas o título da colunista me lembrou outra música que era muito popular na nossa época de adolescente. Aquela do Planet Hemp, em que D2 falava que continuava queimando tudo até a última ponta. Parece que foi o que aconteceu. Infelizmente, para o mal.



Occupy 3: quebrando o mundo

“As massas de jovens e velhos precarizados do Occupy são o atestado de derrota da geração pós-neo-conservadora, pró-establishment e anti-tudo”
Estou fechando minha coluna hoje, quarta, 23 de maio, aliás, dia do meu nat, aproveitando para agradecer coletivamente, de todo o coração, às dezenas de cumprimentos, lembranças e manifestações de afeto recebidas de amigos das redes Facebook, Likedin, etc.,  aproveitando para tornar à pauta doOccupy (ensaio publicado recentemente pela Boitempo), os movimentos de protesto que tomaram as ruas do planeta.
Chamou especialmente minha atenção um trecho do artigo do crítico Vladimir Safatle, da USP, onde, a propósito, ele fala do tempo e da questão geracional, com o título “A geração que quebrou o mundo”. Diz ele: “Hoje, nem acredito, estou chegando aos quarenta anos. Lembro que na idade de vocês, dezoito, dezenove, vinte anos, costumava ouvir que não havia mais luta política a ser feita, que o mundo estava globalizado e o que valia era a eficácia, a capacidade de assumir riscos, de ser criativo, inovador, de preferência em alguma agência de publicidade ou departamento de marketing”.
Segundo Vladimir, se assumissem essa “nova realidade”, as pessoas entrariam num futuro radiante onde só haveriam vencedores e raves, onde os que ficassem para trás teriam um problema moral, pelo fato de não assumir riscos e a necessidade de inovação, etc. Então, penso ironicamente, de fato, realizar o “socialismo para os ricos”, salvando bancos, etc., realmente SERIA um tarefa e tanto!
As pessoas que acreditaram em tal discurso há vinte anos – e que hoje estão em torno dos quarenta – foram trabalhar no sistema financeiro e conseguiram criar uma crise maior que a de 1929, da qual ninguém sabe sair. Ou seja, admite Safatle, eles simplesmente conseguiram quebrar o mundo! Para essa geração, não era possível que o futuro fosse diferente do presente. Ela não acreditava, em nenhuma hipótese, na capacidade de transformação da participação popular, considerando isso chavão ideológico ridículo.
Diz ele: Como assim participação popular? Isso não existe mais! Manifestações? Isso não existe (num mundo globalizado para cima)! Vocês não deveriam existir! Por isso, essa geração é a primeira a dizer que vocês não sabem o que fazem, são uns sonhadores, que, no máximo, só podem aparecer como fundo em comerciais de jeans! Pois, se vocês mostrarem que a força crítica do pensamento é capaz de reconstruir nossas relações sociais, então eles se perguntarão: o que fizemos esse tempo todo? Como fomos capazes de acreditar em algo que agora desmorona?
As massas de jovens e velhos precarizados do Occupy são o atestado de derrota dessa geração pós-neo-conservadora, pró-establishment e anti-tudo.
Por que a crise econômica ficou desse tamanho? E mais: como foi possível que se praticasse este verdadeiro genocídio econômico? Os mesmos bancos que, há três anos, estavam quebrados, hoje estão superavitários. Graças ao dinheiro do Estado. Assim, que sistema político é esse que é incapaz de colocar contra a parede quem destrói a vida, o direito ao trabalho, à saúde, à educação e a propriedade das famílias?
Perto do que se fez hoje em termos de desapropriações – a expulsão das famílias de suas casas em razão de hipotecas impagáveis –, a turma de Lenin em 1917 foi piquenique de freiras! Como bem lembrou Slavoj Zizek, alguém devia ter colocado essa turma para trabalhar durante a Revolução Russa!
Mas voltando ao Occupy: ele é um primeiro passo, mas este grande movimento está apenas começando e tais processos são lentos. Lembrando Freud: “A razão pode falar baixo, mas não se cala”.
Aqui uno minhas idéias às de Safatle: realmente, não dá mais para confiar em partidos, sindicatos, estruturas governamentais que não podem funcionar como instrumentos de rupturas radicais, como é precisamente o caso. Vladimir lembra que na Grécia governa um partido social-democrata, o Pasok, de esquerda; na Espanha, um clássico partido pseudo-esquerdista, o PSOE – Partido Socialista Operário Espanhol, e isto para não falar nas estruturas políticas norte-americanas, nacionais, etc.etc.etc: ora, com uma esquerda como esta, quem precisa de direita? Todos jogam no mesmo time. E isto significa que a época em que as pessoas se mobilizavam em torno de siglas e partidos acabou radicalmente.
E o que vem por aí, só o futuro dirá, contudo o movimento Occupy já acena com algumas respostas. E os ricos do planeta – aqueles mesmos pertencentes à geração que quebrou o mundo – não vão gostar de ouvi-las.