"Pirates: Band of Misfits" é uma animação inglesa em stop-motion roots, na mesma linha dos filmes da duplinha Wallace & Gromit e Fuga das Galinhas.
O título em português - ˜Piratas Pirados - não faz jus ao nome original, que é uma referência quase literal à banda formada por Glenn Danzig. Claro que não poderia faltar punk rock na trilha sonora. Aliás, é uma escolha bastante acertada, já que o bando de desajustados em questão encontra como inimigo ninguém nada menos que a Rainha Vitória. Destaque para a cena, ao som de London Calling, que mostra o Império Britânico tentando abraçar o mundo, sempre atrapalhados por piratas no meio do caminho.
A aventura envolve ainda a figura ilustre de Charles Darwin e uma dodô confundida com papagaio de pirata. Como sempre, as coreografias da equipe de Peter Lord e Jeff Newitt esbanjam criatividade e fino humor britânico.
Há ainda muitas piadas envolvendo política e história, que certamente serão ignoradas pelas crianças, bem como pela maioria dos adultos que assistirem. Coisas tipo o pirata deixar o butim na ilha de Flandres, onde há uma loja de "Duty Free". Os créditos finais também são cheios de piadas e referências mais obscuras, que mostram um humor inteligente nas entrelinhas. Também, só podia ser coisa de britânicos.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Homenagem a Caetano Veloso
Texto do André Forastieri. Fechando com linda música dos Replicantes para o Baiano mais amado do Brasil (desde a morte do saudoso ACM).
Caetano, 70 anos e 30 sem fazer um disco decente: parabéns (pelos seus fãs)
Caetano Veloso completou setenta anos. A imprensa empinou ensaiadinha o rabicó, coreografia previsível, estilo abertura das Olimpíadas. Submissão abjeta à autoridade e ao consenso que compensa. Surpresa zero. Mas se o tema das matérias era o passado do cantor, compositor, músico, muso, e ênfase é o presente. Pergunto: que presente? Caetano não importa há três décadas.
Li em uns cinco lugares diferentes que Caetano continua tão relevante como sempre. Que sua produção atual não destoa de seu melhor; suas opiniões políticas repercutem; suas recomendações artísticas pesam. Os artigos, inclusive dos amigos aqui da casa, foram da generosidade disfarçada de imparcialidade à subserviência total.
Me tenta deixar pra lá. Com Caetano é sempre assim. Provoca paixões ou vomitório, nada intermediário. Nunca escrevi sobre Veloso, e não será hoje. Me entediam sua bazófia, ansiedade e glossolalia. A vida é curta e os fãs de Caetano, à prova de argumentos. Já sei o que penso. E ele é um senhor, ou, mais precisamente, um sinhozinho. Podia ser meu pai. Vamos respeitar o tio.
Mas não vamos respeitar suas fanzocas baba-ovo, coisíssima nenhuma. Pau neles, ou, se for o caso, você. Tenho prática. Vinte anos atrás eu costumava animar festinhas desanimadas zoando os zumbis-Caê. Jornalistaiada jovem e companhia, festinha no apê, turminha reunida em volta da geladeira, cerveja gelada, cheiro de maconha etc., discussões esquentando, eu jornalista culturets, suposto entendedor de música.
Bola quicando, eu chutava: a questão não é se Caetano Veloso já fez um monte de música boa. Claro que fez! (Qual? Minha resposta de arquivo é Leãozinho, que fãs de Caetano frequentemente odeiam, eu acho uma beleza de canção de ninar).
O problema, explicava eu acendendo espocando outra latinha, não é Caetano, é gente como vocês, que continuam babando por ele, batendo palmas sem pensar, quando ele não faz um disco que preste há muitos anos. Polêmica! Contestações raivosas: como assim? Tá maluco? E essa música, e aquela outra da novela ano passado, e o dueto com não sei quem?
E aí eu cravava a estaca: não estou falando de uma canção ou outra. Estou falando de um disco decente. Quer dizer, de dez músicas do álbum, pelo menos um terço tem que ser de bacanudas. Cite aí, amigo, três canções sensacionais de um disco recente de Caetano Veloso. Silêncio. Tentativas falhas.
Eu rebatia: não, essa é do Araçá Azul, essa é deste, essa não foi composta por ele, só vale composição própria etc. (quase tudo enrolação minha...). O fato é que NINGUÉM jamais acertou três músicas decentes pertencentes ao mesmo álbum. Rendia uma meia hora de bate-boca, seguida de um satisfatório calaboca nos coleguinhas.
Hoje seria mais fácil ainda. Conferi há alguns minutos a discografia completa de Caetano. Encontrei vários discos que têm três músicas inquestionavelmente legaizinhas, pelo menos. São todos dos anos 70. Lá se vão três décadas. Não é nem de longe suficiente para beatificação.
Compare com ícones pop coroas de fora (Dylan, Jagger, Bowie, McCartney, Lou Reed e outros que fizeram canções memoráveis e relevantes no passado distante) e veja se encontras na crítica ou opinião pública gringas babação de ovo semelhante a que vemos com Caetano no Brasil. Não mesmo.
Caetano sobrevive da admiração acrítica de fãs bestas e, principalmente, da condescendência da imprensa. É compositor para panelinhas, sempre correndo para colar na nova modinha. Invariavelmente chega atrasado, mas sempre a tempo de passar por vanguardista junto aos desinformados, quem acredita ou se importa com vanguardinhas.
Em 2050, esqueleto de Caetano brilhando no caixão, ele será lembrado por Sampa, Alegria, Alegria etc., suas canções mais populares e antigas, umas 15 ou 20, que ficarão como retrato de uma época distante. Não é pouco. Também não é grande coisa.
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| Caê recebe a bença de Painho |
Caetano, 70 anos e 30 sem fazer um disco decente: parabéns (pelos seus fãs)
Caetano Veloso completou setenta anos. A imprensa empinou ensaiadinha o rabicó, coreografia previsível, estilo abertura das Olimpíadas. Submissão abjeta à autoridade e ao consenso que compensa. Surpresa zero. Mas se o tema das matérias era o passado do cantor, compositor, músico, muso, e ênfase é o presente. Pergunto: que presente? Caetano não importa há três décadas.
Li em uns cinco lugares diferentes que Caetano continua tão relevante como sempre. Que sua produção atual não destoa de seu melhor; suas opiniões políticas repercutem; suas recomendações artísticas pesam. Os artigos, inclusive dos amigos aqui da casa, foram da generosidade disfarçada de imparcialidade à subserviência total.
Me tenta deixar pra lá. Com Caetano é sempre assim. Provoca paixões ou vomitório, nada intermediário. Nunca escrevi sobre Veloso, e não será hoje. Me entediam sua bazófia, ansiedade e glossolalia. A vida é curta e os fãs de Caetano, à prova de argumentos. Já sei o que penso. E ele é um senhor, ou, mais precisamente, um sinhozinho. Podia ser meu pai. Vamos respeitar o tio.
Mas não vamos respeitar suas fanzocas baba-ovo, coisíssima nenhuma. Pau neles, ou, se for o caso, você. Tenho prática. Vinte anos atrás eu costumava animar festinhas desanimadas zoando os zumbis-Caê. Jornalistaiada jovem e companhia, festinha no apê, turminha reunida em volta da geladeira, cerveja gelada, cheiro de maconha etc., discussões esquentando, eu jornalista culturets, suposto entendedor de música.
Bola quicando, eu chutava: a questão não é se Caetano Veloso já fez um monte de música boa. Claro que fez! (Qual? Minha resposta de arquivo é Leãozinho, que fãs de Caetano frequentemente odeiam, eu acho uma beleza de canção de ninar).
O problema, explicava eu acendendo espocando outra latinha, não é Caetano, é gente como vocês, que continuam babando por ele, batendo palmas sem pensar, quando ele não faz um disco que preste há muitos anos. Polêmica! Contestações raivosas: como assim? Tá maluco? E essa música, e aquela outra da novela ano passado, e o dueto com não sei quem?
E aí eu cravava a estaca: não estou falando de uma canção ou outra. Estou falando de um disco decente. Quer dizer, de dez músicas do álbum, pelo menos um terço tem que ser de bacanudas. Cite aí, amigo, três canções sensacionais de um disco recente de Caetano Veloso. Silêncio. Tentativas falhas.
Eu rebatia: não, essa é do Araçá Azul, essa é deste, essa não foi composta por ele, só vale composição própria etc. (quase tudo enrolação minha...). O fato é que NINGUÉM jamais acertou três músicas decentes pertencentes ao mesmo álbum. Rendia uma meia hora de bate-boca, seguida de um satisfatório calaboca nos coleguinhas.
Hoje seria mais fácil ainda. Conferi há alguns minutos a discografia completa de Caetano. Encontrei vários discos que têm três músicas inquestionavelmente legaizinhas, pelo menos. São todos dos anos 70. Lá se vão três décadas. Não é nem de longe suficiente para beatificação.
Compare com ícones pop coroas de fora (Dylan, Jagger, Bowie, McCartney, Lou Reed e outros que fizeram canções memoráveis e relevantes no passado distante) e veja se encontras na crítica ou opinião pública gringas babação de ovo semelhante a que vemos com Caetano no Brasil. Não mesmo.
Caetano sobrevive da admiração acrítica de fãs bestas e, principalmente, da condescendência da imprensa. É compositor para panelinhas, sempre correndo para colar na nova modinha. Invariavelmente chega atrasado, mas sempre a tempo de passar por vanguardista junto aos desinformados, quem acredita ou se importa com vanguardinhas.
Em 2050, esqueleto de Caetano brilhando no caixão, ele será lembrado por Sampa, Alegria, Alegria etc., suas canções mais populares e antigas, umas 15 ou 20, que ficarão como retrato de uma época distante. Não é pouco. Também não é grande coisa.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Fox confirma sequência de Prometheus
Que venha mais um excelente filme de FC!!!
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
O filme do cineasta gagá
Li essa "crítica" ou texto (ou seja lá o que for isso) do Jabor falando do Batman e achei uma pérola. O cara sequer tem conhecimento que o personagem é da DC. Parte do pressuposto que todos os gibis de super-herois são propriedade da Marvel. E acredita que o personagem ainda é aquele que formava a dupla gay mais famosa da televisão nos anos 60.
Que o morcegão é de direita até a avó do Charles de cueca sabe. É fato tão notório quanto sua predileção por garotos que usem calças curtas. Acho que o Jabor queria ser o Coringa do Heath Ledger, mas só conseguiu se transformar no bobo daquela corte conhecida como Imprensa Livre (PIG para os mais íntimos), após fracassar epicamente como cineasta. Isso sem lembrar daquele período em que foi ministro...
Não sei se o cara ficou gagá com o excesso de drogas nos anos 70. Mas podia ter pelo menos a dignidade de se aposentar. Assim, seus filhos não teriam que passar pelo constrangimento que é ter um pai com delírios paranoides e idealizador de teorias da conspiração que até Fox Mulder relutaria em tentar entender.
Prefiro pensar em Independence Day e Godzilla como exemplos de filmes ruins, que nunca deveriam ser levados a sério. Mas temos aqui um intelectual que acredita piamente que tais filmes foram a causa do 11 de setembro. Jabor, faz um favor para a gente aqui: vai fica em casa assistindo todas as adaptações cinematográficas de Nelson Rodrigues. Pode até fumar um baseadinho de vez em quando, mas pega leve. E nos poupe de seus comentários.
Fui ver o "Cavaleiro das Trevas", mas não vou analisar o Batman como 'arte'. Agora existe um novo tipo de coisa - um filme-game que não se mede por estrelinhas ou bonequinhos aplaudindo. Não existe mais ‘gostei’ ou ‘não gostei’. Os roteiros não contam mais, a mise-en-scène é a tempestade de planos de três segundos montados em enxurrada com efeitos especiais incessantes.
O significado dos filmes está além deles. Interessa ver os conceitos que estão por baixo das cenas, a intenção por baixo da ação. O filme se esconde no décor - ali está o verdadeiro sentido. Acabaram mocinhos x bandidos; as personagens principais são as coisas, os computadores, a tecnociência.
Esse filme se pretende mais complexo que os outros; mas não é. Parece "complexo", mas é apenas "emaranhado". Isso. Assim como o mistério da arte é abolido no "entretenimento", nos atuais filmes de ação a "complexidade" é substituída por um simulacro: o proposital "emaranhamento", que nos dá a sensação de "profundo". É claro que o Batman é um herói genial, que os outros empregados da Marvel são heróis encantadores das histórias em quadrinhos. Nada contra as aventuras maravilhosas que tinham uma cândida simplicidade nos enredos. O que enche o saco é ver como os produtores se apropriam dessas historinhas ingênuas e tentam dar-lhes um sentido do ‘ar do tempo’, construindo um sarapatel de fatos políticos: terrorismo, patriotic act, política do medo, impotência social, numa espécie de ‘rock do americano doido’... "Ah... deixa de ser chato; é apenas gibi filmado..." Gibi é o cacete - alguns desses filmes são manifestos com interpretações ridículas sobre o momento atual. E ninguém percebe.
No entanto, gostei muito do Batman 2, com o Heath Ledger criando uma obra-prima rara no cinema, uma ilha do cinismo contemporâneo, misturando bem e mal, misturando horror e simpatia. "Escolhi o caos" - ele diz para o Batman. Heath, de certo modo, faz uma crítica ao próprio filme. Heath é quase uma paródia do "grande espetáculo", é um marginal dentro do elenco.
Claro também que do meio desse barroquismo digital, linguagens e verdades podem estar nascendo. Mas se descascarmos as camadas de significação, em meio ao enxame de efeitos especiais, podemos ver Batman e outros como "sintoma", como queriam os professores da "filmologia" francesa. Nos anos 60, Gilbert Cohen-Seat criou uma espécie de filosofia do cinema, a filmologia, em que analisava não só os filmes, mas o berço de onde saíram, o chão histórico de onde brotavam. Foram várias fases desse pós-cinema de porrada e velocidade.
Nos filmes violentíssimos dos anos 80, com os atores brutais como Sylvester Stallone, Van Damme etc., Hollywood inventou o prazer do sangue, das facas dentadas, dos peitos estourados, das metralhadoras fálicas. Era a safra do cinema pós-Vietnã, como uma vingança na tela pela derrota humilhante dos americanos pelos guerreiros comedores de arroz; eram um show de força para compensar o fracasso da guerra.
Mais tarde, ainda antes do "11 de Setembro", rolou a grande onda de filmes sobre a destruição de Nova York. Parecia uma sugestão ao Osama, que acabou realizando essa volúpia destrutiva, satisfazendo esse estranho desejo de autoextermínio dos americanos. Por quê? Ninguém filma Paris acabando ou Londres em pó. Mas, americano paranoico só pensa em inimigos. Podem conferir as obras: os USA invadidos por "Godzillas", por discos voadores letais, por asteroides, por explosões no "Armageddon" (há em Godzilla uma cena absolutamente igual à multidão real de 2001, fugindo pela rua, com as torres se suicidando ao fundo. Aliás, no mundo real, as próprias torres encarnavam uma arrogância arquitetônica, pedindo bombardeio.)
Osama, o Coringa do deserto, acabou com a ideia de guerra. Osama nos atacou de outro tempo - fora da história. A queda das torres do WTC está nos filmes de hoje como uma cicatriz na dramaturgia. Neste Batman 3 também tiveram o prazer de massacrar a Bolsa de Valores (dezenas metralhados como em Colorado), de explodir o Super Bowl, de ver a cidade tomada, a ponte doi Brooklyn desabando. Por quê?
Recentemente, a violência dos "estoura-peitos" e o suicídio virtual dos filmes-catástrofe deram lugar a uma cultura de massas mais "reflexiva". Hollywood, claro, se apropriou até dos heróis anarquistas ou psicopatas, ameaçando a ‘boa’ sociedade. Passaram a fingir uma ‘crítica ao Sistema’ como em Matrix ou o Clube da Luta, que foi a tela de onde surgiu o nosso assassino Matheus, alguns anos atrás em São Paulo, lembram?
Hoje, a verdade de Hollywood está fora das telas, nas motivações financeiras e paranoicas dos produtores. Já se disse que o 11 de Setembro em NY foi o único momento de realidade na escalada do mundo virtual. Depois da catástrofe das torres e agora, com a tremenda crise do mundo atual, o cinema só quer faturar em cima da confusão, explorar o inexplicável com fábulas ridículas com terroristas angustiados, monstros do mal e heróis do bem, tudo bem simplificado para agradar à patuleia. Onde estão os comportamentos humanos verdadeiros? Ninguém liga mais para isso.
Este filme não é o Bem contra o Mal. Fala sobre a liberdade do povo, mas deixa um odor republicano no ar. Gozamos o tempo todo com o mal e, no fim, os produtores nos "concedem" o arbítrio de escolher o bem, quando a tecnologia e as cenas celebram o mal durante toda a projeção. Este "meio" é muito mais importante que as "mensagens" que, ao final, vêm em pequenas lições morais defendendo a família, a solidariedade, o amor.
No Batman, a política e a polícia tentam dar conta da imensidão da corrupção e da criminalidade global. Ninguém sabe o que fazer, mas o cinema americano acha que sabe, com suas alegorias paranoicas e lucrativas. Quando Osama-Coringa atacará de novo?
Que o morcegão é de direita até a avó do Charles de cueca sabe. É fato tão notório quanto sua predileção por garotos que usem calças curtas. Acho que o Jabor queria ser o Coringa do Heath Ledger, mas só conseguiu se transformar no bobo daquela corte conhecida como Imprensa Livre (PIG para os mais íntimos), após fracassar epicamente como cineasta. Isso sem lembrar daquele período em que foi ministro...
Não sei se o cara ficou gagá com o excesso de drogas nos anos 70. Mas podia ter pelo menos a dignidade de se aposentar. Assim, seus filhos não teriam que passar pelo constrangimento que é ter um pai com delírios paranoides e idealizador de teorias da conspiração que até Fox Mulder relutaria em tentar entender.
Prefiro pensar em Independence Day e Godzilla como exemplos de filmes ruins, que nunca deveriam ser levados a sério. Mas temos aqui um intelectual que acredita piamente que tais filmes foram a causa do 11 de setembro. Jabor, faz um favor para a gente aqui: vai fica em casa assistindo todas as adaptações cinematográficas de Nelson Rodrigues. Pode até fumar um baseadinho de vez em quando, mas pega leve. E nos poupe de seus comentários.
| - Filho, se você usar drogas, vai ficar que nem esse tio da televisão aí! |
'Batman' é o 'rock do americano doido' - ARNALDO JABOR
GOZAMOS O TEMPO TODO
COM O MAL E, NO FINAL, OS
PRODUTORES NOS “CONCEDEM”
O ARBÍTRIO DE ESCOLHER O BEM,
QUANDO A TECNOLOGIA E AS
CENAS CELEBRAM O MAL
DURANTE TODA A PROJEÇÃO
COM O MAL E, NO FINAL, OS
PRODUTORES NOS “CONCEDEM”
O ARBÍTRIO DE ESCOLHER O BEM,
QUANDO A TECNOLOGIA E AS
CENAS CELEBRAM O MAL
DURANTE TODA A PROJEÇÃO
Fui ver o "Cavaleiro das Trevas", mas não vou analisar o Batman como 'arte'. Agora existe um novo tipo de coisa - um filme-game que não se mede por estrelinhas ou bonequinhos aplaudindo. Não existe mais ‘gostei’ ou ‘não gostei’. Os roteiros não contam mais, a mise-en-scène é a tempestade de planos de três segundos montados em enxurrada com efeitos especiais incessantes.
O significado dos filmes está além deles. Interessa ver os conceitos que estão por baixo das cenas, a intenção por baixo da ação. O filme se esconde no décor - ali está o verdadeiro sentido. Acabaram mocinhos x bandidos; as personagens principais são as coisas, os computadores, a tecnociência.
Esse filme se pretende mais complexo que os outros; mas não é. Parece "complexo", mas é apenas "emaranhado". Isso. Assim como o mistério da arte é abolido no "entretenimento", nos atuais filmes de ação a "complexidade" é substituída por um simulacro: o proposital "emaranhamento", que nos dá a sensação de "profundo". É claro que o Batman é um herói genial, que os outros empregados da Marvel são heróis encantadores das histórias em quadrinhos. Nada contra as aventuras maravilhosas que tinham uma cândida simplicidade nos enredos. O que enche o saco é ver como os produtores se apropriam dessas historinhas ingênuas e tentam dar-lhes um sentido do ‘ar do tempo’, construindo um sarapatel de fatos políticos: terrorismo, patriotic act, política do medo, impotência social, numa espécie de ‘rock do americano doido’... "Ah... deixa de ser chato; é apenas gibi filmado..." Gibi é o cacete - alguns desses filmes são manifestos com interpretações ridículas sobre o momento atual. E ninguém percebe.
No entanto, gostei muito do Batman 2, com o Heath Ledger criando uma obra-prima rara no cinema, uma ilha do cinismo contemporâneo, misturando bem e mal, misturando horror e simpatia. "Escolhi o caos" - ele diz para o Batman. Heath, de certo modo, faz uma crítica ao próprio filme. Heath é quase uma paródia do "grande espetáculo", é um marginal dentro do elenco.
Claro também que do meio desse barroquismo digital, linguagens e verdades podem estar nascendo. Mas se descascarmos as camadas de significação, em meio ao enxame de efeitos especiais, podemos ver Batman e outros como "sintoma", como queriam os professores da "filmologia" francesa. Nos anos 60, Gilbert Cohen-Seat criou uma espécie de filosofia do cinema, a filmologia, em que analisava não só os filmes, mas o berço de onde saíram, o chão histórico de onde brotavam. Foram várias fases desse pós-cinema de porrada e velocidade.
Nos filmes violentíssimos dos anos 80, com os atores brutais como Sylvester Stallone, Van Damme etc., Hollywood inventou o prazer do sangue, das facas dentadas, dos peitos estourados, das metralhadoras fálicas. Era a safra do cinema pós-Vietnã, como uma vingança na tela pela derrota humilhante dos americanos pelos guerreiros comedores de arroz; eram um show de força para compensar o fracasso da guerra.
Mais tarde, ainda antes do "11 de Setembro", rolou a grande onda de filmes sobre a destruição de Nova York. Parecia uma sugestão ao Osama, que acabou realizando essa volúpia destrutiva, satisfazendo esse estranho desejo de autoextermínio dos americanos. Por quê? Ninguém filma Paris acabando ou Londres em pó. Mas, americano paranoico só pensa em inimigos. Podem conferir as obras: os USA invadidos por "Godzillas", por discos voadores letais, por asteroides, por explosões no "Armageddon" (há em Godzilla uma cena absolutamente igual à multidão real de 2001, fugindo pela rua, com as torres se suicidando ao fundo. Aliás, no mundo real, as próprias torres encarnavam uma arrogância arquitetônica, pedindo bombardeio.)
Osama, o Coringa do deserto, acabou com a ideia de guerra. Osama nos atacou de outro tempo - fora da história. A queda das torres do WTC está nos filmes de hoje como uma cicatriz na dramaturgia. Neste Batman 3 também tiveram o prazer de massacrar a Bolsa de Valores (dezenas metralhados como em Colorado), de explodir o Super Bowl, de ver a cidade tomada, a ponte doi Brooklyn desabando. Por quê?
Recentemente, a violência dos "estoura-peitos" e o suicídio virtual dos filmes-catástrofe deram lugar a uma cultura de massas mais "reflexiva". Hollywood, claro, se apropriou até dos heróis anarquistas ou psicopatas, ameaçando a ‘boa’ sociedade. Passaram a fingir uma ‘crítica ao Sistema’ como em Matrix ou o Clube da Luta, que foi a tela de onde surgiu o nosso assassino Matheus, alguns anos atrás em São Paulo, lembram?
Hoje, a verdade de Hollywood está fora das telas, nas motivações financeiras e paranoicas dos produtores. Já se disse que o 11 de Setembro em NY foi o único momento de realidade na escalada do mundo virtual. Depois da catástrofe das torres e agora, com a tremenda crise do mundo atual, o cinema só quer faturar em cima da confusão, explorar o inexplicável com fábulas ridículas com terroristas angustiados, monstros do mal e heróis do bem, tudo bem simplificado para agradar à patuleia. Onde estão os comportamentos humanos verdadeiros? Ninguém liga mais para isso.
Este filme não é o Bem contra o Mal. Fala sobre a liberdade do povo, mas deixa um odor republicano no ar. Gozamos o tempo todo com o mal e, no fim, os produtores nos "concedem" o arbítrio de escolher o bem, quando a tecnologia e as cenas celebram o mal durante toda a projeção. Este "meio" é muito mais importante que as "mensagens" que, ao final, vêm em pequenas lições morais defendendo a família, a solidariedade, o amor.
No Batman, a política e a polícia tentam dar conta da imensidão da corrupção e da criminalidade global. Ninguém sabe o que fazer, mas o cinema americano acha que sabe, com suas alegorias paranoicas e lucrativas. Quando Osama-Coringa atacará de novo?
ESTADÃO
O GLOBO
31/07/2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
review de cinema: "Batman - o cavaleiro das trevas ressurge"
Após o fracasso de "Batman e Robin", em 1997, a Warner parecia totalmente perdida sobre o que fazer com sua série de maior sucesso. Foi preciso um cineasta vindo do cinema independente e que tinha feito até então apenas três filmes para que um dos personagens mais famosos da cultura pop recebesse um tratamento decente nos cinemas. Com "Batman Begins", o inglês Christopher Nolan estabeleceu as bases para uma série muito bem-sucedida e de qualidade acima da média em se tratando de blockbusters de ação e aventura. Com o segundo filme, "O cavaleiro das trevas", Nolan foi mais longe e fez um trabalho primoroso, com uma marcante atuação do falecido Heath Ledger. Era de se esperar que ele voltasse ainda mais uma vez para trás das câmeras para encerrar sua contribuição ao universo do Batman. Assim, "O cavaleiro das trevas ressurge" estreia com a missão de fechar com chave de ouro a mais bem-sucedida série cinematográfica de um personagem de quadrinhos.
Não vale a pena falar muito sobre a história, que traz Batman enfrentando o vilão Bane em uma Gotham City novamente ameaçada pela Liga das Sombras. Novos personagens são apresentados, como a Mulher-Gato vivida por Anne Hathaway e o policial interpretado por Joseph Gordon-Levitt, que me parecem ser os grandes destaques do novo filme. Pela primeira vez no cinema, a Mulher-Gato é retratada de maneira mais fiel aos quadrinhos, surgindo como uma ladra que atrai e se sente atraída pelo Batman. Aliás, o novo filme tem várias referências `as hq's, o que me agradou bastante. Quem leu "O cavaleiro das trevas", "A queda do morcego", "Terra de ninguém" e "Um lugar solitário para morrer" vai perceber várias referências a essas sagas no filme, inclusive com alguns diálogos retirados quase que integralmente das histórias. Outro ponto positivo é que o grandioso elenco, reunido por Nolan desde "Begins", continua muito bem e dá credibilidade até mesmo a sequências inverossímeis. Acho que Michael Caine tem, aqui, seu melhor momento em toda a série, com uma interpretação verdadeiramente tocante; e Gary Oldman confirma que é um dos grandes atores de sua geração, com seu sofrido e corajoso comissário Gordon.
A tarefa de Tom Hardy era ingrata: substituir Heath Ledger como antagonista do Batman. Mas o fato é que ele está muito bem no filme, cumprindo sua função de vilão quase indestrutível de maneira irretocável. A cada vez que aparece em cena, nos faz acreditar que é mesmo um sujeito perigoso e bastante articulado.
| Hardy como Bane |
| Anne Hathaway como Selina |
Os problemas do filme começam com o roteiro, que tem vários furos e situações forçadas. Me surpreeende que Nolan, sempre tão meticuloso com suas histórias, lance mão de algumas soluções absurdamente clichês e, por vezes, incongruentes. Não quero dar spoilers, mas há alguns flashbacks desnecessários e que tiram um pouco o brilho da narrativa. De igual modo, o excesso de personagens e a necessidade de resolver a trama de maneira rápida dão a impressão de que faltou um pouco de polimento no roteiro, para que a história ficasse um pouco mais enxuta. Nem vou entrar na discussão levantada por alguns críticos, que veem no filme uma espécie de libelo republicano de direita, pois não acho que esse tipo de obra se preste a apenas uma interpretação, ou mesmo que mereça uma interpretação politizada. Afinal, estamos falando de um filme de super-herói, e não de uma película de Costa-Gavras ou de Ken Loach.
De qualquer forma, o filme é muito bem conduzido e excepcionalmente produzido. A trilha de Hans Zimmer, marca registrada dos filmes de Nolan, contribui, e muito, para o clima de tensão que permeia toda a projeção, tornando este terceiro capítulo uma bela conclusão para a trilogia do morcego no cinema. As cenas de ação são eficientes, principalmente o prólogo e o embate entre Batman e Bane, e o filme cresce da metade para o fim, a partir de um momento específico que acentua a dramaticidade da narrativa, conduzindo o espectador para a conclusão que, se não chega a ser arrebatadora, é bastante convincente. Embora inferior aos dois primeiros da série, "Batman - o cavaleiro das trevas ressurge" é digno da filmografia de Christopher Nolan e bastante superior `a maioria dos blockbusters que infestam as salas de cinema.
E, claro, respondendo `a pergunta que surge entre dez de cada dez fãs de hq's: qual a melhor adaptação de hq do ano: Vingadores ou Batman? Bem, desta vez acho que a Marvel venceu. Embora o trabalho de Nolan seja sempre muito bom, este ano fico com Joss Whedon, que apresentou um filme com uma história um pouco mais coesa e com ritmo mais constante, costurando de forma bem eficiente uma trama que interliga a história de vários personagens.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Teaser trailer do novo filme do super-homem
No embalo da estreia de "Batman - o cavaleiro das trevas ressurge", a Warner disponibilizou o primeiro teaser de "Man of Steel", o reinício do super-homem no cinema. O filme foi escrito e produzido por Christopher Nolan e dirigido por Zack Snyder. Parece que Nolan levou toda a sua equipe para a nova série do azulão, inclusive o grande compositor Hans Zimmer, responsável pela trilha de Batman e de Inception, o que garante um certo padrão de qualidade. Como de costume, a esposa de Zack Snyder, Debora, é coprodutora, ou seja, há indícios de que teremos um blockbuster autoral, com pouca influência dos engravatados que não entendem nada de quadrinhos ou de cinema, ao contrário do que aconteceu com o péssimo filme do lanterna verde. Se tudo der certo, a Warner caminha para enfrentar os filmes da Marvel nas bilheterias com um possível filme da liga da justiça. Se tudo der errado, estará consolidada a hegemonia da "casa das ideias" no cinemão. Gosto bastante do elenco, que tem Henry Cavill como super-homem, Amy Adams como Lois Lane, e ainda Russell Crowe, Kevin Costner, Diane Lane e Laurence Fushburne, respectivamente nos papéis de Jor-El, Jonathan Kent, Martha Kent e Perry White.
Normalmente sou voz dissonante quanto ao trabalho de Snyder como diretor. Ao contrário de muitos que o criticam principalmente por usar câmera lenta e excesso, acho que ele é um dos poucos diretores atuais que realmente sabem filmar sequências de ação sem deixar o espectador confuso. Gosto de seus filmes anteriores, especialmente de "Watchmen", que se mostrou uma adaptação bastante digna do trabalho de Alan Moore. Obviamente, aqui, todos as expectativas se voltam para o nome de Christopher Nolan nos créditos, o "midas" do cinema pop contemporâneo, que até agora não errou a mão em nenhum de seus trabalhos. Veremos como se sai na cadeira de produtor.
Normalmente sou voz dissonante quanto ao trabalho de Snyder como diretor. Ao contrário de muitos que o criticam principalmente por usar câmera lenta e excesso, acho que ele é um dos poucos diretores atuais que realmente sabem filmar sequências de ação sem deixar o espectador confuso. Gosto de seus filmes anteriores, especialmente de "Watchmen", que se mostrou uma adaptação bastante digna do trabalho de Alan Moore. Obviamente, aqui, todos as expectativas se voltam para o nome de Christopher Nolan nos créditos, o "midas" do cinema pop contemporâneo, que até agora não errou a mão em nenhum de seus trabalhos. Veremos como se sai na cadeira de produtor.
terça-feira, 24 de julho de 2012
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