Homenagem bacaninha. Mas acho que ficou com muita cara de CGI, quando eu esperava ver algo mais na linha stop-motion.
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Pablo Villaça fala sobre Prometheus
Infelizmente, não fala muito bem. Espero que esteja equivocado com a crítica.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Sol nascente
E já que o assunto do post anterior era cartaz, fiquei bem empolgado com esse cartaz do novo Wolverine. A expectativa de ver Eu, Wolverine adaptado para a telona - na minha opinião, a melhor história do baixinho invocado - poderá mudar a opinião do Tribunal Penal Internacional e absolver os responsáveis pela franquia da condenação pelo crime contra a humanidade que foi aquele caça-níqueis estrelado por Hugh Jackman.
10 cartazes cliché
Seleção de clichés em cartazes de filme no 22 Words. Trazendo à tona aquela máxima de que não há nada de novo sob o sol. Eu, particularmente, achei muito legal os estudos. E vocês?
| Cabeças grandes no céu, pessoas pequenas na praia |
| Armados e "dis costa" |
| Texto grande na cara |
| Costa contra costa |
| Na cama |
| Entre as pernas |
| Olho grande |
sábado, 17 de março de 2012
A Invenção de George Mèliés
Longe de ser o meu favorito do Scorsese ou ainda o meu favorito do ano, A Invenção de Hugo Cabret é uma belíssima homenagem ao cinema. Não o cinemão hollywoodiano de hoje, mas o cinema dos pioneiros. Aquela arte então incipiente, mais parecida com truques de mágica do que aquilo que viria se tornar nos anos posteriores.
Scorsese faz seu justo tributo aos franceses, legítimos inventores da Sétima Arte. Sim, ao contrário do que muitos podem pensar (como me esclareceram na City Tour que fiz em Hollyood), o cinema foi criado na França, pelos Irmãos Lumière, e não na California. Nem mesmo por Thomas Edison na Costa Leste. Mas isso é assunto para outro post. Não, não estou sendo irônico...
Mas a homenagem de Scorsese não é dirigida a estes dois irmãos luminosos, e sim a, talvez, o primeiro grande cineasta da história: Georges Méliès. Pioneiro, Meliès foi responsável por obras-primas como Le voyage dans la lune. Como mencionei, na época o Cinema estava muito mais associado ao ilusionismo, e não tardou para Mèliés introduzir a arte cinematográfica em seus shows de mágica, logo rendendo-se totalmente àquela. Seus filmes traduzem muito o experimentalismo que acompanhava aquela nova mídia.
É uma delícia ver Scorsese criando falsos making offs de filmes daquela época, mostrando toda a criatividade dos cineastas pioneiros. Especialmente bela é a cena em que é exibido o filme O Trem Chegando na Estação a uma plateia assustada, crente que o trem sairá da tela. A sacada de Scorsese é genial, mostrando o contraste do 2D com o 3D de Hugo.
Também vale o filme pela homenagem aos relojoeiros, que ganham o (merecido) status de verdadeiros artistas. É difícil imaginar como funcionavam os mecanismos complexos das engenhocas de relojoraria em tempos de arte digital. O realismo fantástico fica por conta do autômato encontrado pelo pai de Hugo, que serve de argumento para o desenvolvimento do resto da trama.
Mesmo a história melosa não chega a estragar o resultado final. Embora deslizando rumo ao piegas, a trama envolvendo o menino órfão e sonhador é o que menos importa em Hugo. Aqui, a forma sobrepõe-se majestosamente ao conteúdo.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
George Lucas nega que Han atirou primeiro
Transcrito do Cinema em Cena.
Em razão do relançamento de Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma em 3D nos cinemas, o diretor George Lucas concedeu uma entrevista ao site The Hollywood Reportere respondeu a algumas questões sobre pirataria, Indiana Jones 5 e, principalmente, sobre todas as mudanças pós-lançamento que fez aos seis Star Wars.
Ao todo, foram cinco perguntas para o diretor, e, na primeira delas, Lucas disse que esta versão de A Ameaça Fantasma que chega aos cinemas hoje é a mesma do Blu-ray (que, de acordo com Lucas, é a melhor) com apenas a conversão para 3D como diferença. Mas o que realmente pode irritar alguns fãs é a resposta de Lucas para a segunda pergunta, na qual o repórter questiona como ele se sente com a reclamação dos fãs a algumas mudanças dos filmes, como o Yoda em CGI no Episódio I e o “quem atira primeiro” entre Han Solo e Greedo.
Eis a resposta do diretor: “[Star Wars] não é um evento religioso. Eu odeio dizer isso às pessoas. É um filme, apenas um filme. Quanto à controvérsia entre quem atirou primeiro, Greedo ou Han Solo, no Episódio IV, o que eu fiz foi tentar esclarecer a confusão, mas obviamente aborreci as pessoas porque elas queriam que Solo fosse um assassino a sangue-frio, mas ele não é. A cena foi toda feita em close-ups e ficou confuso sobre quem fez o quê. Eu acrescentei um plano pequeno que deixou claro que Greedo foi quem atirou primeiro (...) É a mesma coisa com o Yoda. Nós tentamos fazê-lo em CGI para o Episódio I, mas não conseguimos a tempo. Nós não tínhamos a tecnologia suficiente para trabalhar, então tivemos que usar o boneco, mas ele não era tão bom quanto o CGI. Então, quando refizemos, nós colocamos o CGI de volta, porque era o que estava programado anteriormente”.
Seguindo... O THR também perguntou a Lucas qual era sua opinião sobre os projetos SOPA e PIPA e outros assuntos em relação à pirataria, e ele respondeu: “Se nós tivéssemos um sistema legal inteligente, todo mundo se juntaria e escreveria a melhor resposta possível. Colocar o mundo digital contra o tradicional e dizer que é um ou outro não é uma decisão sábia. Porque o que você está dizendo é: ‘você quer que filmes existam, ou você quer que tudo esteja na internet e assistir a gatos vendo televisão ou algo assim?’ Todo mundo quer filmes, todo mundo quer programas de televisão, e todo mundo quer mídia digital. Só cabe ao governo se sentar com ambos os lados e escrever uma nota razoável”.
Para finalizar, Lucas comentou que adorou A Invenção de Hugo Cabret, primeira experiência 3D de seu amigo Martin Scorsese, e disse que o filme reinventa os negócios dos efeitos visuais e especiais. E quando finalmente questionado sobre Indiana Jones 5 (Lucas é criador da história da saga, junto com Steven Spielberg) sua resposta foi: “Eu deveria estar trabalhando nele agora, mas eu estou aqui falando com você ao invés disso (risos)”.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Review: O Preço do Amanhã
Apesar de um filme estrelado por Justin Tinbarlake fazer qualquer um já torcer o nariz antecipadamente, O Preço do Amanhã (In Time) é uma bela metáfora anticapitalista disfarçada de FC de ação que vale a pena conferir.
Desta vez, o cantor de boy band vive um autêntico heroi da classe operária, que decide lutar contra o sistema após um ricaço arrependido lhe mostrar como funciona a coisa.
No mundo de In Time, todos podem (em tese) viver eternamente. Claro que, como diz o título em português, essa juventude eterna não sai de graça. Quando uma pessoa faz 25, aparece um relógio virtual no pulso, mostrando o tempo que resta ao vivente. Aqui, tempo, literalmente, é dinheiro.
Para sobreviver, a pessoa tem que trabalhar (ou roubar) para ganhar mais tempo de vida. Outra opção é pegar tempo a juros (módicos) num daqueles Credi Matone, administrado por milionários, que, literalmente, sugam a vida dos mais pobres. O modelo urbanístico é dividido em "zonas temporais", cujo custo de vida aumenta gradativamente para selecionar seus habitantes.
Amanda Seyfried faz a mocinha e filha do vilão milionário. Cillian Murphy, o eterno Espantalho, faz o policial que, mesmo explorado, acredita no sistema e faz de tudo para mantê-lo. Qualquer semelhança com a nossa Polícia Militar não é mera coincidência.
O filme ainda conta com um visual retrô que, de certa forma, remete a distopias como Logan's Run (cuja série de TV eu adorava ver na Bandeirantes quando criança) e o já clássico Gattaca.
Taí uma coisa que não se vê todos os dias.
Desta vez, o cantor de boy band vive um autêntico heroi da classe operária, que decide lutar contra o sistema após um ricaço arrependido lhe mostrar como funciona a coisa.
No mundo de In Time, todos podem (em tese) viver eternamente. Claro que, como diz o título em português, essa juventude eterna não sai de graça. Quando uma pessoa faz 25, aparece um relógio virtual no pulso, mostrando o tempo que resta ao vivente. Aqui, tempo, literalmente, é dinheiro.
Para sobreviver, a pessoa tem que trabalhar (ou roubar) para ganhar mais tempo de vida. Outra opção é pegar tempo a juros (módicos) num daqueles Credi Matone, administrado por milionários, que, literalmente, sugam a vida dos mais pobres. O modelo urbanístico é dividido em "zonas temporais", cujo custo de vida aumenta gradativamente para selecionar seus habitantes.
Amanda Seyfried faz a mocinha e filha do vilão milionário. Cillian Murphy, o eterno Espantalho, faz o policial que, mesmo explorado, acredita no sistema e faz de tudo para mantê-lo. Qualquer semelhança com a nossa Polícia Militar não é mera coincidência.
O filme ainda conta com um visual retrô que, de certa forma, remete a distopias como Logan's Run (cuja série de TV eu adorava ver na Bandeirantes quando criança) e o já clássico Gattaca.
Taí uma coisa que não se vê todos os dias.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Review: Os homens que não amavam as mulheres
Vi hoje a versão americana de Os homens que não amavam as mulheres. Ao contrário do título em inglês (The Girl with the Dragon Tattoo), a tradução para o português brasileiro é quase literal ao original sueco - Män som hatar kvinnor, ou "Os Homens que Odeiam as Mulheres".
O filme já me ganhou já nos créditos, com a música do Led Zeppelin numa espécie de clip do Marlyn Manson. Já tinha postado o clip anteriormente aqui no blog. Mas, ao contrário do tom cético que coloquei naquele post, tive de me render à versão. Para mim, a letra sobre hordas de vikings saqueando e estuprando fez todo o sentido com o clima do filme, que, de certa forma, também trata de bárbaros nórdicos.
Bom... não vou adiantar muita coisa sobre o filme, até porque acho que vale a pena cada um conferir por si. A garota faca-na-bota que dá o título ao filme em inglês é a atração principal. Mas Daniel Kraig manda muito bem, e consegue desvincular a figura do James Bond psicopata por ele encarnado no cinema.
A trama é complexa e o filme bastante longo. Não vi o original sueco, mas ouvi dizer que esse americano ficou até melhor. Imagino o quanto não deve ter nos livros, já que se trata de uma trilogia. Mesmo assim, vale dizer que o filme termina em si mesmo, não deixando ganchos propositais para os próximos, o que já considero um mérito em si.
Outro mérito - este digno de menção honrosa - é que o filme se passa na Suécia. Não se passa no Alaska, nem na Nova Inglaterra, nem em nenhum lugar da América. Ponto para David Fincher, que há horas não fazia um filme decente: os últimos que me lembro são o Benjamin Button e o Zodíaco, dois belos abacaxis.
Vou dar uma conferida no livro e depois dou minha opinião.
O filme já me ganhou já nos créditos, com a música do Led Zeppelin numa espécie de clip do Marlyn Manson. Já tinha postado o clip anteriormente aqui no blog. Mas, ao contrário do tom cético que coloquei naquele post, tive de me render à versão. Para mim, a letra sobre hordas de vikings saqueando e estuprando fez todo o sentido com o clima do filme, que, de certa forma, também trata de bárbaros nórdicos.
Bom... não vou adiantar muita coisa sobre o filme, até porque acho que vale a pena cada um conferir por si. A garota faca-na-bota que dá o título ao filme em inglês é a atração principal. Mas Daniel Kraig manda muito bem, e consegue desvincular a figura do James Bond psicopata por ele encarnado no cinema.
A trama é complexa e o filme bastante longo. Não vi o original sueco, mas ouvi dizer que esse americano ficou até melhor. Imagino o quanto não deve ter nos livros, já que se trata de uma trilogia. Mesmo assim, vale dizer que o filme termina em si mesmo, não deixando ganchos propositais para os próximos, o que já considero um mérito em si.
Outro mérito - este digno de menção honrosa - é que o filme se passa na Suécia. Não se passa no Alaska, nem na Nova Inglaterra, nem em nenhum lugar da América. Ponto para David Fincher, que há horas não fazia um filme decente: os últimos que me lembro são o Benjamin Button e o Zodíaco, dois belos abacaxis.
Vou dar uma conferida no livro e depois dou minha opinião.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Os clássicos que a Academia esnobou
Do Cinema em Cena.
Cantando na Chuva (1952), por Pablo Villaça
Era Uma Vez no Oeste (1968), por Tullio Dias
O Iluminado (1980) e Nascido Para Matar(1987), por Heitor Valadão
Outro dos filmes mais icônicos de Kubrick viria a ser ignorado pela Academia sete anos mais tarde. Quando chegou aos cinemas, em 1987, Nascido Para Matar foi muito comparado a Platoon, de Oliver Stone, que tinha sido lançado apenas um ano antes. Uma comparação fútil, já que mesmo abordando o mesmo assunto, são filmes essencialmente opostos.
Luzes da Cidade (1931), por Larissa Padron
Talvez Scarface só não possa ser considerado como o melhor filme que De Palma já realizou (classificação sempre vulnerável à dúvida, levando em conta que estamos falando do diretor que também fez Um Tiro na Noite e O Pagamento Final, dois outros filmaços que a Academia ignorou) porque quatro anos mais tarde Os Intocáveis chegou aos cinemas. Mais uma vez, o diretor entregou um épico policial arrebatador, com sua assinatura de cima a baixo. Se antes ele refilmou o clássico de Howard Hawks (Scarface – A Vergonha de uma Nação, de 1932, também esnobado pela Academia, assim como inúmeros grandes trabalhos de Hawks), desta vez De Palma criou uma nova versão da série de TV de mesmo nome que foi ao ar em 1959.
Na semana que trouxe a consagração de O Artistaentre os indicados ao Oscar 2012, é curioso perceber que uma das grandes e óbvias inspirações do longa francês é o clássico Cantando na Chuva, que também conta a história de um astro do cinema mudo que busca lidar com a transição para os filmes sonoros. E por que "curioso"? Porque, embora tenha de fato se tornado um clássico indiscutível, o filme dirigido por Stanley Donen e Gene Kelly foi solenemente ignorado pela Academia na cerimônia de 1953 (que homenageava as produções do ano anterior). E quando digo "ignorado", não é porque ele saiu de mãos vazias da premiação (e saiu), mas porque foi indicado em apenas duas categorias: Atriz Coadjuvante (Jean Hagen, que vive a estrela de voz insuportável Lina Lamont) e Melhor Trilha Sonora de Musical (uma categoria já extinta).
Mas talvez o pior seja saber que, naquele ano, o pavorosamente ruim O Maior Espetáculo da Terra, uma besteira inchada e oca de Cecil B. DeMille, tenha saído como o grande vencedor da noite, levando as estatuetas de melhor Filme e Roteiro. Tudo bem que as canções icônicas deCantando na Chuva não pudessem ter sido indicadas, já que não eram originais, mas ignorar o filme na categoria principal, além daquelas voltadas à Direção, ao Roteiro, aos Figurinos e à Direção de Arte (e só a longa sequência envolvendo o filme-dentro-do-filme já deveria garantir esta última)? E o que dizer do fabuloso Gene Kelly como Ator e do hilário Donald O'Connor como Coadjuvante?
O tempo, porém, corrigiu o equívoco: e se hoje não há um único cinéfilo que não conheça a cena que dá título a Cantando na Chuva, o mesmo não pode ser dito sobre O Maior Espetáculo da Terra, corretamente enterrado e esquecido por quase todos. Mas que este foi um tropeço monumental, não há como negar.
Uma das maiores injustiças do Oscar aconteceu não só com um dos melhores faroestes de todos os tempos, mas com uma das produções mais importantes da história do cinema: Era Uma Vez no Oeste, de Sergio Leone.
Enquanto a maioria dos cinéfilos acha um absurdoCidadão Kane ter sido indicado em nove categorias, incluindo Melhor Filme e Diretor, mas ter saído da cerimônia apenas com o prêmio de Roteiro Original, quase não se fala ou se lamenta o fato de que Era Uma Vez no Oeste foi completamente ignorado pela Academia em 1970 (o filme é de 1968, mas foi lançado nos Estados Unidos somente no ano seguinte) e não recebeu nenhuma indicação.Nenhuma.
A ausência de outros grandes clássicos na lista de indicados ao Oscar é notória (o próprio Leone pode ser citado novamente com Três Homens em Conflitos, que também não possui indicações), mas no caso de Era Uma Vez no Oeste é realmente assustador constatar que nem mesmo a trilha sonora de Ennio Morricone foi lembrada. Como nosso colega Paulo de Tarso comentou na coluna Frame Sonoro, só a introdução do longa-metragem já é um show de técnica e demonstra toda a genialidade do compositor (que só veio a ter seu trabalho reconhecido pela Academia dez anos depois, quando recebeu a primeira de suas cinco indicações pela música de Dias de Paraíso – no entanto, seu único prêmio é o Oscar honorário, com o qual foi agraciado pela Academia em 2007).
A ausência de outros grandes clássicos na lista de indicados ao Oscar é notória (o próprio Leone pode ser citado novamente com Três Homens em Conflitos, que também não possui indicações), mas no caso de Era Uma Vez no Oeste é realmente assustador constatar que nem mesmo a trilha sonora de Ennio Morricone foi lembrada. Como nosso colega Paulo de Tarso comentou na coluna Frame Sonoro, só a introdução do longa-metragem já é um show de técnica e demonstra toda a genialidade do compositor (que só veio a ter seu trabalho reconhecido pela Academia dez anos depois, quando recebeu a primeira de suas cinco indicações pela música de Dias de Paraíso – no entanto, seu único prêmio é o Oscar honorário, com o qual foi agraciado pela Academia em 2007).
Stanley Kubrick é, de forma inegável, um dos maiores diretores de cinema de todos os tempos. E você sabe quantos Oscars Kubrick ganhou como diretor? Nenhum. Na verdade, ele ganhou em toda a sua carreira apenas uma estatueta da Academia, como Supervisor de Efeitos Visuais de 2001 - Uma Odisséia no Espaço. Claro, ele foi indicado algumas vezes nas categorias Melhor Filme e Diretor, mas sempre ficou a ver navios.
Em seu lançamento, em 1980, O Iluminado chegou a ser ridicularizado e rendeu a Kubrick um feito inédito: a indicação ao troféu Framboesa de Ouro de Pior Diretor. Stephen King, que escreveu o livro em que o filme é baseado, despreza a adaptação e as mudanças que o cineasta fez na história. Hoje, O Iluminado é considerado uma das obras máximas do suspense, além de ser copiado, plagiado e homenageado à exaustão. Sabe quantas indicações ao Oscar o filme teve? Nenhuma.
A mídia, que é muito diferente da crítica especializada, muito banalizou e colocou o longa-metragem de Stone em um pedestal como "o melhor filme já feito sobre a Guerra do Vietnã". A Academia esnobou Nascido Para Matar, indicando o filme apenas a Melhor Roteiro Adaptado (já Platoonteve oito indicações e ganhou quatro Oscars: Melhor Filme, Direção, Montagem e Som). O público também não mostrou muito interesse, já que Platoon, que custou um quinto do filme de Kubrick, rendeu nas bilheterias quase três vezes mais. Isso quer dizer que Nascido Para Matar é um filme inferior ou que Kubrick, como de costume, fez um filme à frente de sua época? O tempo mostrou que a segunda opção é a correta.
Charles Chaplin, junto com Alfred Hitchcock e Stanley Kubrick, é uma dos injustiçados históricos do Oscar. Apesar de ter recebido alguns prêmios da Academia, dois dos maiores e mais conhecidos filmes do cineasta e da história do cinema foram desprezados pela premiação: Tempos Modernos e O Grande Ditador (que recebeu cinco indicações - Melhor Filme, Roteiro, Ator, Ator Coadjuvante e Trilha Sonora - mas não venceu). No entanto, talvez a maior injustiça que a Academia cometeu com Chaplin foi nem ao menos ter indicado Luzes da Cidade.
O filme, que conta a história de amor entre o Vagabundo e uma florista cega, é presença certa em muitas listas de melhores filmes de todos os tempos e também é considerado por muitos como o melhor trabalho de Chaplin (é, por exemplo, o filme preferido de Orson Welles). Mesmo sendo lançado na época da Grande Depressão, o longa fez um grande sucesso, mas não o suficiente para despertar a atenção da Academia.
Rumores dizem que Chaplin desprezava o Oscar, tendo usado como calço de porta a estatueta especial que ganhou na primeira cerimônia, em 1929 (homenagem da Academia pela versatilidade e genialidade de Chaplin em protagonizar, escrever e dirigir O Circo). Este seria um dos motivos pelo qual a Academia passou décadas sem indicá-lo novamente.
Em 1972, aos 83 anos, Chaplin recebeu outro Oscar honorário pelo conjunto da obra. Mas foi só no ano seguinte que ele realmente se tornou vencedor de uma estatueta, ganhando o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original por Luzes da Ribalta (apesar de o filme ser de 1952, ele foi lançado nos Estados Unidos 20 anos depois, devido às perseguições políticas que o cineasta sofria).
Scarface (1983) e Os Intocáveis (1987), porRenato Silveira
Da turma de diretores americanos que agitaram Hollywood a partir dos anos 70, Francis Ford Coppola e Steven Spielberg foram os primeiros a ganhar o reconhecimento da Academia. Já Brian De Palma e Martin Scorsese passaram anos vendo seus filmes serem indicados em diversas categorias do Oscar, mas eles mesmos sempre ficavam de mãos vazias. Scorsese pelo menos foi indicado ao prêmio de Melhor Direção cinco vezes até finalmente ganhar por Os Infiltrados, em 2007. Mas De Palma, coitado, até hoje nunca teve a chance de estar entre os cinco concorrentes ao troféu.
Numa análise rápida da filmografia de De Palma, pelo menos dois filmes saltam aos olhos como clássicos modernos que a Academia ignorou. O primeiro, de 1983, é Scarface. O longa estrelado por Al Pacino no papel do traficante Tony Montana não recebeu uma indicação sequer ao Oscar. Nada mesmo. E assim como ocorreu com Kubrick por O Iluminado, De Palma ainda foi lembrado pelo Framboesa de Ouro, concorrendo, pasmem, ao troféu de Pior Diretor. O tempo passou e Scarface é tido hoje como um dos grandes filmes de gângster que Hollywood já produziu – e Tony Montana se tornou um ídolo pop.
Além do extraordinário trabalho de direção (as sequências de tiroteio na escadaria da estação ferroviária e na casa de Jim Malone já justificariam a indicação), Os Intocáveis reúne diversos outros fatores que deveriam tê-lo tornado um dos grandes vencedores da história do Oscar. Mas o filme recebeu apenas quatro indicações: Melhor Trilha Sonora, para Morricone, Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte e Melhor Ator Coadjuvante, para Sean Connery.
Apenas esta última estatueta ficou com o longa, que acabou fora da categoria Melhor Filme, preenchida por Atração Fatal, Esperança e Glória, Feitiço da Lua, Nos Bastidores da Notícia e o grande vencedor, O Último Imperador. Destes, apenas Nos Bastidores da Notícia não foi indicado na categoria Melhor Direção. Quem ocupou a vaga de James L. Brooks foi Lasse Hallström, por Minha Vida de Cachorro. E, sim, meus caros, Adrian Lyne foi indicado ao Oscar e De Palma, não.
Injustiças, como vocês podem ver por esta nossa pequena lista, acontecem desde o início da premiação da Academia. Quantas mais virão?
Quer relembrar mais algum clássico que foi esnobado pelo Oscar? Deixe seu comentário e complemente nossa discussão!
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